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“O Cerrado está extinto e isso leva ao fim dos rios e dos reservatórios de água”

Entrevista com Altair Sales Barbosa

Uma das maiores autoridades sobre o tema, professor da PUC Goiás diz que destruição
do bioma é irreversível e que isso compromete o abastecimento potável em todo o País

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

por Elder Dias

Uma ilha ambiental em meio à metrópole está no Campus 2 da Pon­tifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás). É lá o local onde Altair Sales Barbosa idealizou e realizou uma obra que se tornou ponto turístico da capital: o Memorial do Cerrado, eleito em 2008 o local mais bonito de Goiânia e um dos projetos do Instituto do Trópico Subúmido (ITS), dirigido pelo professor.

Foi lá que Altair, um dos mais profundos conhecedores do bioma Cerrado, recebeu a equipe do Jornal Opção. Como professor e pesquisador, tem graduação em Antropologia pela Universidade Católica do Chile e doutorado em Arqueologia Pré-Histórica pelo Museu Nacional de História Natural, em Washington (EUA). Mais do que isso, tem vivência do conhecimento que conduz.

É justamente pela força da ciência que ele dá a notícia que não queria: na prática o Cerrado já está extinto como bioma. E, como reza o dito popular, notícia ruim não vem sozinha, antes de recuperar o fôlego para absorver o impacto de habitar um ecossistema que já não existe, outra afirmação produz perplexidade: a devastação do Cer­rado vai produzir também o desaparecimento dos reservatórios de água, localizados no Cerrado, o que já vem ocorrendo — a crise de a­bastecimento em São Paulo foi só o início do problema. Os sinais dos tempos indicam já o começo do período sombrio: “Enquanto se es­tá na fartura, você é capaz de re­partir um copo d’água com o ir­mão; mas, no dia da penúria, ninguém repartirá”, sentencia o professor.
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Farmacopeia Popular do Cerrado

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Deu branco na queimadura

por Liana John

Ou melhor, o extrato da casca do breu-branco (Protium heptaphyllum) tem bom potencial como protetor solar, por suas atividades antioxidantes e anti-inflamatórias, que ajudam a prevenir queimaduras de sol e câncer de pele.

Essa árvore, de 7 a 20 metros de altura, ocorre na Mata Atlântica, no Cerrado e na Floresta Amazônica e tem frutos comestíveis, de casca vermelha e polpa amarelada, com gosto suave e refrescante. Os frutos são bem apreciados por aves e mamíferos, mas não são conhecidos pela maioria dos brasileiros.

Na verdade, bem conhecido mesmo é perfume extraído da resina, vendido tanto em frascos simples, no mercado do Ver-o-Peso, em Belém (PA), como sofisticados, pelas revendedoras da indústria de cosméticos Natura. O cheirinho bom também exala das folhas, justificando diversos nomes comuns da espécie: almecegueira-de-cheiro, almecegueira-cheirosa, pau-de-incenso, incenso-de-caiena.

Já o nome breu-branco deriva do fato de a resina assumir coloração branca quando exsudada pelo tronco cortado ou raspado. Para os indígenas de origem tupi-guarani, o nome da espécie ora faz referência à resina – icicaçu (resina grande) – ora faz referência à espessura do tronco – guapuycy (mãe de tronco fino).

Seja qual for o nome, a espécie é popularmente considerada medicinal. A resina oleosa é usada como analgésico, cicatrizante e expectorante. Uma pesquisa conduzida pelo doutor em Farmacologia, Francisco de Assis Oliveira, na Universidade Federal do Ceará (UFCE) conferiu a atividade da resina como anti-inflamatória e gastroprotetora. Mas também encontrou alta toxicidade de alguns de seus componentes nos testes com camundongos.

Outra pesquisa, realizada no Laboratório de Controle de Qualidade de Medicamentos e Cosméticos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP/USP), elegeu o extrato da casca do breu branco como o de melhor potencial fotoquimioprotetor, entre os testes realizados com 40 espécies nativas. “Recebemos os extratos prontos, de diversas instituições, e testamos primeiro a toxicidade e depois as atividades antioxidante e anti-inflamatória, que são as mais importantes para esse tipo de proteção solar”, diz Ana Luiza Scarano Aguillera Forte, responsável pelo estudo. O extrato do breu branco foi enviado por uma equipe do Museu Emílio Goeldi, do Pará.

Nos primeiros testes, de toxicidade, apenas 4 das 40 plantas “passaram na peneira”: os extratos das folhas de quaresmeira (Miconia minutiflora), canela-de-cutia (Eugenia protenta) e de uma mirtácea sem nome comum (Eugenia biflora), além do extrato da casca do tronco de breu-branco. As 4 espécies foram estão testadas em condições semelhantes às reais, com exposição a raios ultravioleta. E os melhores resultados foram obtidos com o breu branco, cuja atividade antioxidante se mostrou capaz de “sequestrar” da pele a maior parte dos radicais livres prejudiciais, além de agir contra a inflamação normalmente causada pela irradiação solar, quando a pele é exposta sem proteção.

“Os produtos fotoquimioprotetores são de pré-tratamento e devem compor produtos cosméticos para a pele junto com filtros solares”, esclarece a pesquisadora. “Não servem para pós-tratamento, para cuidar da pele após a queimadura solar, como é o caso do gel pós-sol”.

O estudo dos 40 extratos foi objeto do mestrado de Ana Luiza, realizado sob a orientação de Maria José Vieira Fonseca, com bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O laboratório também conta com recursos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Agora Ana Luiza avalia outro extrato, proveniente do Cerrado, com a mesma atividade fotoquimioprotetora. É sua tese de doutorado em Ciências Farmacêuticas e inclui um ano de pesquisas na Espanha. Como o estudo só deve terminar em 2016, ela ainda não pode revelar qual é a planta. Então, enquanto esperamos, o jeito é procurar cosméticos que já tenham incorporado o breu-branco para a proteção solar.

Foto: Liana John (tronco de breu-branco, Rio Negro, AM)

Fonte: [ Educação Ambiental Itajubá ]

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Arquivado em Doenças, Estudos, Medicamentos, Plantas Medicinais

XVI Congresso Brasileiro de Arborização Urbana

O XVI Congresso Brasileiro de Arborização Urbana (CBAU) acontece de 1º a 7 de setembro, no Center Convention, em Uberlândia. As inscrições podem ser feitas pelo site cbau2012.com.br/.

Durante o congresso será realizado um mix de ações que visam proporcionar a discussão de melhores práticas de manejo de árvores urbanas. São elas: V Campeonato Brasileiro de Escalada de Árvores, sessões técnicas, mesas redondas e minicursos.

Um dos objetivos do congresso é avaliar a melhor maneira de arborizar um determinado espaço urbano seguindo as boas práticas, normas e especificações técnicas que orientem o planejamento, a implantação e a manutenção das árvores.

Inscrições para trabalhos científicos do XVI CBAU podem ser feitas até 31 de julho

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Levantamento lista plantas e animais invasores no País

por Herton Escobar

Novo banco de dados, do Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental, cita 1,2 mil ocorrências

Jaca. Goiaba. Dendê. Plantas que muitos consideram típicas do Brasil. Mas que não só não são originais do País, como são consideradas espécies invasoras em algumas regiões, onde competem por espaço, luz e nutrientes com as espécies nativas, vencem e acabam se tornando uma ameaça.

Elas fazem parte da lista de 348 plantas e animais incluídos no [ novo banco de dados ] sobre espécies invasoras do Brasil, organizado pelo [ Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental ].

Jaqueiras no sul da Bahia. Espécie é uma das consideradas invasoras

Instituto Hórus/Divulgação

As espécies exóticas são aquelas que vivem fora do seu hábitat ou região de origem. Quando elas se multiplicam e se tornam um problema para o ecossistema, para as espécies nativas ou para os seres humanos, elas passam a ser consideradas “invasoras”. É como se fossem pragas, como no caso do mosquito da dengue e do barbeiro – insetos transmissores de doenças.

A nova base de dados do Hórus lista 1,2 mil ocorrências de espécies invasoras no Brasil. O número é quatro vezes maior do que o de espécies (348), porque cada espécie pode ser considerada invasora ou não em diferentes pontos de ocorrência, dependendo das circunstâncias locais. É o caso da jaqueira (originária da Ásia), da goiabeira (da América Central) e do dendezeiro (da África), que podem ser árvores frutíferas inofensivas em determinados ambientes ou espécies invasoras, em outros.

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Arquivado em Curiosidades, Ecologia, Meio Ambiente, Paisagismo

Planta do Cerrado usa folhas subterrâneas para capturar e digerir vermes

Por Karina Toledo

Em artigo na revista PNAS, cientistas do Brasil, Austrália e Estados Unidos descrevem como comprovaram que a Philcoxia é carnívora (divulgação)

Agência FAPESP – À primeira vista, a Philcoxia minensis parece uma planta delicada, com pequenas flores roxas, galhos finos e aproximadamente 20 centímetros de altura. Mas, sob a areia branca da Serra do Espinhaço, em Minas Gerais, ela esconde um segredo: folhas grudentas, do tamanho da cabeça de um alfinete, que atraem, capturam e digerem vermes incautos.

A descoberta foi descrita na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) por pesquisadores brasileiros, americanos e australianos. É resultado do projeto de iniciação científica “Absorção foliar de nutrientes de presas como teste de carnivoria em Philcoxia minensis p. Taylor & v. c. SOUZA (Plantaginaceae)“, desenvolvido pelo estudante da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Caio Pereira, com bolsa da FAPESP.

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Arquivado em Artigos, Curiosidades

Flor do Cerrado

Com nome de flor, cercada de flores por toda parte, Rose Mendes faz de seu artesanato popular uma história de sucesso.


Eu comecei como Rose, uma flor só, hoje já sou um jardim. Somos 27 pessoas envolvidas. Sozinho ninguém vai a lugar algum”. Rose Mendes fala sem deixar de mexer as mãos. Junta folhas em camadas concêntricas e amarra a base com firmeza: mais uma flor está pronta e vai para uma grande caixa de papelão, esperando a vez na montagem de um sofisticado painel de parede ou uma bolsa social, que nada deve em design aos melhores estilistas.

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Arquivado em Artigos, Flores

E não falamos de flores

por Geraldinho Vieira

Que pena que onça-pintada não vota. Que pena que o tatu-canastra, o lobo-guará, a águia-cinzenta e o cachorro-do-mato-vinagre não votam.

Enquanto a “agenda ambiental” contenta-se silenciosa em ter papel secundário numa eleição em que nada debate-se à fundo, quem viaja para a Chapada dos Veadeiros (Goiás) testemunha um grito de calor: montanhas e vales com cara de carvão avisam aos navegantes que não agüentam mais. Fogo, muito fogo, o cerrado grita uma agonia anunciada.

Nos 200 e tantos quilômetros que me levam de Brasília à Vila do Moinho marco a velocidade da intervenção desenvolvimentista na natureza. O cerrado que não agüenta de calor é o cerrado que restou – outra parte de cerrado virou soja ou pastagem nos últimos quatro/cinco anos.

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Arquivado em Artigos, Biodiversidade, Meio Ambiente