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Drugo

Drugo é um dragão que vive em um reino e vive cercado por pessoas. O relacionamento com ele as faz faltarem ao trabalho, esquecerem da família, se tornarem mais violentas. Até que um dia, o Rei resolve combatê-lo e decide que a melhor forma de afastar as pessoas de Drugo é bani-lo do reino.

Como era inimigo do Rei, o governante usou toda força possível em seu combate. O dragão teve de se esconder e essa situação deu origem a grupos armados que passaram a lucrar com as visitas feitas a ele às escondidas, gerando crimes e corrupção.

Entretanto, à medida que a violência aumentava, mais forte o dragão ficava. Até que um dia, pensadores se organizaram para discutir qual a melhor forma de estabelecer uma convivência pacífica entre Drugo e o reino, já que viver sem ele por perto era uma utopia.

http://www.globalcommissionondrugs.org/

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Raio X das Drogas

Por: Arlene Borja


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A maconha produz um grau elevado de percepção. Sob a ação do THC consegue-se superar os condicionamentos e os limites. Muitas substâncias do grupo CANNABIS, como o haxixe e o cânhamo, bem como alguns cogumelos e cactos, realçam ou fazem aflorar o psiquismo, eliminando temporáriamente as barreiras de relação do inconsciente com a realidade.

A maconha projeta o mundo inconsciente com seus desequilíbrios, conflitos, registros, anseios, prazeres, contenções, complexos, medos, etc., diretamente o “Eu” ou o “Si mesmo” pensante de cada um. Provoca um descontrole do pensamento criando, às vezes, um estado de loucura ou psicose (é quando a pessoa se desespera e quer recompor essa fragmentação de seu ego que está anestesiado, trazendo a perda do discernimento e do julgamento). Faz ver as coisas por um outro prisma, realçando elementos já pertencentes ao índivíduo.

Tanto maconha como o álcool, as anfetaminas, os comprimidos para reduzir o apetite, os xaropes à base de ópio, o haxixe, os cogumelos, o LSD, o peiote, o estramônio, etc., podem representar um estopim para a explosão final que dissolve o ego. Os efeitos psicológicos destas drogas, podem ser diferentes entre si: a maconha fragmenta o ego, as anfetaminas o reforçam, mas ambos podem levar à loucura.

Quanto aos efeitos físicos, o princípio ativo da maconha, o conhecido THC (ou tetrahidrocanabinol), determina modificações precisas em qualquer organismo. O principal efeito orgânico do THC é a hipoglicemia ou queda dos níveis de açúcar do sangue, o que explica a fome e a vontade de comer doces freqüentemente verificada como efeito da maconha. Outros fenômenos importantes são: ligeira queda inicial da pressão arterial, relaxamento muscular, irritação das conjuntivas (olhos vermelhos), formigamentos, acentuação do paladar, secura da boca e da garganta, e alguns outros de menor importância.

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O papel de Wall Street no narcotráfico

Mike Whitney – SinPermiso

Imagine qual seria sua reação se o governo mexicano decidisse pagar 1,4 milhões de dólares a Barack Obama para usar tropas norte-americanas e veículos blindados em operações militares em Nova York, Los Angeles e Chicago, estabelecendo postos de controle, e elas acabassem se envolvendo em tiroteios que resultassem na morte de 35 mil civis nas ruas de cidades norte-americanas. Se o governo mexicano tratassem assim os Estados Unidos, vocês o considerariam amigo ou inimigo? Pois é exatamente assim que os EUA vêm tratando o México desde 2006.

A política dos EUA para o México – a Iniciativa Mérida – é um pesadelo. Ela minou a soberania mexicana, corrompeu o sistema político e militarizou o país. Obteve também como resultado a morte violenta de milhares de civis, pobres em sua maioria. Mas Washington não está nenhum pouco preocupado com os “danos colaterais”, desde que possa vender mais armas, fortalecer seu regime de livre comércio e lavar mais lucros das drogas em seus grandes bancos. É tudo muito lindo.

Há alguma razão para dignificar essa carnificina chamando-a de “Guerra contra as drogas”?

Não faz nenhum sentido. O que vemos é uma oportunidade descomunal de empoderamento por parte das grandes empresas, das altas finanças e dos serviços de inteligência norteamericanos. E Obama segue meramente fazendo seu leilão, razão pela qual – não é de surpreender – as coisas ficaram tão ruins sob sua administração. Obama não só incrementou o financiamento do Plano México (conhecido como Mérida), como deslocou mais agentes norteamericanos para trabalharem em segredo enquanto aviões não tripulados realizam trabalhos de vigilância.

Deu para ter uma ideia do cenário? Não se trata de uma pequena operação de apreensão de drogas, é outro capítulo da guerra norteamericana contra a civilização. Vale lembrar uma passagem de um artigo de Laura Carlsen, publicado no Counterpunch, que nos mostra um elemento de fundo:

“A guerra contra as drogas converteu-se no veículo principal de militarização da América Latina. Um veículo financiado e impulsionado pelo governo norteamericano e alimentado por uma combinação de falsa moral, hipocrisia e muito de temor duro e frio. A chamada “guerra contra as drogas” constitui, na realidade, uma guerra contra o povo, sobretudo contra os jovens, as mulheres, os povos indígenas e os dissidentes. A guerra contra as drogas se converteu na forma principal do Pentágono ocupar e controlar países à custa de sociedades inteiras e de muitas, muitas vidas”.

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Entrevista – Dr. João Menezes, neurocientista e pesquisador da maconha

1. Quais são os argumentos utilizados pelo senhor para defender a legalização e regulamentação da Cannabis no Brasil?

São muitas as razões mas acho que as minhas 10 mais importantes são:

  1. Não existem motivos médicos e científicos que justifiquem a proibição para o uso da cannabis por adultos;
  2. As substâncias contidas na planta são muito menos perigosas e com menos potencial de causar dependência que outras drogas legalizadas e regulamentadas como tabaco, álcool, e fármacos como ansiolíticos, estimulantes e anti-depressivos apenas para citar alguns. Isto corrige uma incoerência na política de controle de substâncias de abuso;
  3. A proibição produz um mercado negro muito mais deletério que o uso da cannabis. Ou seja, a legalização acarretará na redução do impacto do mercado negro sobre a economia da nação (dinheiro circulante livre de impostos e a inflação por demanda que isto provoca), sobre a corrupção policial e sobre o sistema de saúde (sobrecarregado por causa da violência);
  4. O controle do uso da cannabis por menores e do abuso em geral e a possibilidade de oferecer tratamento de saúde para eventuais usos problemáticos, como dependência e síndrome amotivacional, são muito melhor realizados num ambiente de legalização e regulamentação (as pessoas afetadas não correm o risco de serem presas, não fogem das autoridades e não são marginalizadas, e o comerciante pode ser fiscalizado);
  5. Fim assimetria de tratamento entre usuários ricos e pobres e da possibilidade de discriminar negros e pobres em função do uso e posse de drogas (mais de 60% dos presos no Rio de Janeiro por posse de drogas [2o maior motivo de prisão] são réus primários, destes 90% sem armas e 90% negros ou pardos (números aproximados tirados de memória do estudo de Boiteux et al., 2009);
  6. Diminuição do financiamento do crime organizado (cannabis é de longe a droga mais consumida);
  7. Geração de uma nova rede de atividade industrial-econômica (produção, processamento e industrias associadas como a produção de parafernália, cosméticos, têxtil, combustíveis, etc) e os benefícios que a acompanha como geração de novos empregos regulamentados diretos e indiretos, arrecadação de impostos, etc;
  8. Controle de qualidade do produto, aumento da variedade de plantas por exemplo com diminuição do conteúdo de THC e aumento de canabidiol e proteção ao consumidor;
  9. Maior facilidade de acesso ao potencial terapêutico do uso medicinal da cannabis;
  10. Maior facilidade de realização de pesquisas básico-clínicas sobre a cannabis sativa e seus derivados.

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Cannabis Medicinal: Não lemos e não gostamos?

Dando sequência aos debates sobre a maconha no país, em especial sobre a maconha medicinal, Plantando Consciência publica carta do maior especialista nacional no assunto, o professor da UNIFESP e especialista em psicofarmacologia Elisaldo Carlini que foi recusada pela Folha de São Paulo, mesmo veículo que tem publicado cartas de fortíssimo viés ideológico e repletas de ofensas pessoais a diversos pesquisadores brasileiros, assinadas por Ronaldo Ramos Laranjeira e Ana Cecília Petta Roselli Marques (veja um exemplo aqui).

por Elisaldo Carlini

Elisaldo A. Carlini, Professor-Titular de Psicofarmacologia – UNIFESP / Diretor do CEBRID – Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas / Membro Titular do CONED (Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas) / Membro do Comitê de Peritos sobre Álcool e Drogas OMS (7º mandato) / Ex-membro do Conselho Internacional de Controle de Narcóticos (INCB – ONU) (2002-2007)

Em maio deste ano foi realizado o Simpósio Internacional: “Por uma Agência Brasileira da Cannabis Medicinal?” sob minha presidência, contando com a participação de cientistas do Brasil, Canadá, Estados Unidos, Inglaterra e Holanda, representantes brasileiros de vários órgãos públicos, sociedades científicas e numerosa audiência. Após dois dias de intensas discussões foi aprovado por unanimidade um documento recomendando ao Governo Federal a oficialização da criação da Agência Brasileira da Cannabis Medicinal.

Esperava uma discussão posterior, científica e acalorada, pois sabia de algumas opiniões contrárias à proposta. Entre estas o parecer do Departamento de Dependência Química da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) cujos representantes compareceram apenas para apresentar seu parecer, ausentando-se totalmente, antes e depois, de todo o restante do simpósio.

Esta havendo sim a esperada discussão, veiculada principalmente através da Folha de São Paulo, mas num nível de entristecer. De fato, expressões como – “o dom de iludir”; “Lobby da maconha”; “Maconhabras”; “uma idéia fixa: a legalização das drogas”; “elementos com pretensa respeitabilidade”; “paixão dos lobistas”; “exemplo de indigência intelectual”; “querem maiores facilitações para o consumo”; “travestidos de neurocientistas”; – não se coadunam com a seriedade que deve prevalecer em qualquer discussão científica. Os autores de tais infelizes afirmações certamente não leram a celebre frase de Claude Bernard, o pai da medicina experimental: “em ciência criticar não é sinônimo de denegrir”.

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