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Depoimento: mãe de maconheiro

Quando o assunto envolve mãe e maconha logo imaginamos mais um caso de atrito familiar, mas desta vez é diferente sendo um caso de apoio ao debate e esclarecimento em família.

“Mãe que é mãe respeita e ama, mesmo não concordando!!!”

Fonte: [ Smoke Buddies ]

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Entrevista com o professor Francisco José de Abreu Matos, criador do projeto Farmácias Vivas

ENTREVISTA PROFESSOR ABREU MATOS – CRIADOR DO PROJETO FARMÁCIA VIVA

Segue uma ótima entrevista com o professor Abreu Matos para o site Sapiência, poucos meses antes de seu falecimento:

A missão de unir o conhecimento popular ao científico

Sapiência – Como partiu a idéia de criação do Projeto Farmácia Viva?

Dr. Matos – Pouco depois de aposentado, fiz um retrospecto de minha atividade ao longo 20 anos, como professor e pesquisador em regime de Dedicação Exclusiva na UFC, nas áreas de farmacognosia e de química orgânica, especialmente com produtos naturais.

Numerosas comunicações em congressos, trabalhos publicados no Brasil e no exterior, muitos dos quais sobre estudos, envolvendo as áreas da taxonomia botânica, química de produtos naturais secundários e farmacologia, realizados em equipes de plantas medicinais em ocorrência no Nordeste tinham aí a justificativa de suas propriedades.

Isto, mais a minha participação no Programa de Pesquisas de Plantas Medicinais, o PPPM, idealizado e coordenado pela antiga Central de Medicamentos do Ministério da Saúde (CEME), formaram a base para a criação do Projeto Farmácias Vivas, com o objetivo de promover a substituição de plantas usadas empiricamente por outras com a garantia de eficácia e segurança disponíveis na região.

Havia chegado à hora de retribuir para o povo o que recebi em muitos anos de estudos como aluno da escola pública, do ginásio até a universidade.

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“A Máfia Médica" – entrevista com Ghislaine Lanctôt

Dra. Ghislaine Lanctôt

“A Máfia Médica” é o título do livro que custou à doutora Ghislaine Lanctot a sua expulsão do colégio de médicos e a retirada da sua licença para exercer medicina. Trata-se provavelmente da denuncia, publicada, mais completa, integral, explícita e clara do papel que forma, a nível mundial, o complot formado pelo Sistema Sanitário e pela Industria Farmacêutica.

O livro expõe, por um lado, a errónea concepção da saúde e da enfermidade, que tem a sociedade ocidental moderna, fomentada por esta máfia médica que monopolizou a saúde pública criando o mais lucrativo dos negócios.

Para além de falar sobre a verdadeira natureza das enfermidades, explica como as grandes empresas farmacêuticas controlam não só a investigação, mas também a docência médica, e como se criou um Sistema Sanitário baseado na enfermidade em vez da saúde, que cronifica enfermidades e mantém os cidadãos ignorantes e dependentes dele. O livro é pura artilharia pesada contra todos os medos e mentiras que destroem a nossa saúde e a nossa capacidade de auto-regulação natural, tornando-nos manipuláveis e completamente dependentes do sistema.

A seguir, uma bela entrevista à autora, realizada por Laura Jimeno Muñoz para Discovery Salud:

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Entrevista – Dr. João Menezes, neurocientista e pesquisador da maconha

1. Quais são os argumentos utilizados pelo senhor para defender a legalização e regulamentação da Cannabis no Brasil?

São muitas as razões mas acho que as minhas 10 mais importantes são:

  1. Não existem motivos médicos e científicos que justifiquem a proibição para o uso da cannabis por adultos;
  2. As substâncias contidas na planta são muito menos perigosas e com menos potencial de causar dependência que outras drogas legalizadas e regulamentadas como tabaco, álcool, e fármacos como ansiolíticos, estimulantes e anti-depressivos apenas para citar alguns. Isto corrige uma incoerência na política de controle de substâncias de abuso;
  3. A proibição produz um mercado negro muito mais deletério que o uso da cannabis. Ou seja, a legalização acarretará na redução do impacto do mercado negro sobre a economia da nação (dinheiro circulante livre de impostos e a inflação por demanda que isto provoca), sobre a corrupção policial e sobre o sistema de saúde (sobrecarregado por causa da violência);
  4. O controle do uso da cannabis por menores e do abuso em geral e a possibilidade de oferecer tratamento de saúde para eventuais usos problemáticos, como dependência e síndrome amotivacional, são muito melhor realizados num ambiente de legalização e regulamentação (as pessoas afetadas não correm o risco de serem presas, não fogem das autoridades e não são marginalizadas, e o comerciante pode ser fiscalizado);
  5. Fim assimetria de tratamento entre usuários ricos e pobres e da possibilidade de discriminar negros e pobres em função do uso e posse de drogas (mais de 60% dos presos no Rio de Janeiro por posse de drogas [2o maior motivo de prisão] são réus primários, destes 90% sem armas e 90% negros ou pardos (números aproximados tirados de memória do estudo de Boiteux et al., 2009);
  6. Diminuição do financiamento do crime organizado (cannabis é de longe a droga mais consumida);
  7. Geração de uma nova rede de atividade industrial-econômica (produção, processamento e industrias associadas como a produção de parafernália, cosméticos, têxtil, combustíveis, etc) e os benefícios que a acompanha como geração de novos empregos regulamentados diretos e indiretos, arrecadação de impostos, etc;
  8. Controle de qualidade do produto, aumento da variedade de plantas por exemplo com diminuição do conteúdo de THC e aumento de canabidiol e proteção ao consumidor;
  9. Maior facilidade de acesso ao potencial terapêutico do uso medicinal da cannabis;
  10. Maior facilidade de realização de pesquisas básico-clínicas sobre a cannabis sativa e seus derivados.

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As abelhas sumiram! Entrevista com Afonso Inácio Orth

Primeiro, as abelhas começaram a desaparecer nos Estados Unidos, depois no Canadá e, então, no Brasil. “Nós, em Santa Catarina, tivemos um problema muito sério na primavera passada. Álias, esse problema tem se agravado muito e sempre nesta mesma época do ano”, explica o professor Afonso Inácio Orth, um dos principais especialistas em abelhas do país e que tem acompanhado os estudos que buscam respostas para o desaparecimento dos insetos desde que este problema foi detectado.

“O primeiro grande risco é a fragilização da produção mundial de alimentos, principalmente pelo fato de nós dependermos quase que exclusivamente das abelhas. Além disso, um risco secundário, mas não menos importante, é o de afetarmos toda a ecologia local, porque essas abelhas também acabam polinizando as plantas nativas e, a partir do momento em que você elimina os polinizadores, essas plantas nativas deixarão de se reproduzir e, com isto, nós poderemos estar alterando profundamente os ecossistemas”, apontou na entrevista que concedeu à IHU On-Line por telefone.

Afonso Inácio Orth é graduado em Agronomia pela Universidade Federal de Santa Catarina, mestre em Entomologia pela Universidade Federal do Paraná e doutor em Biologia pela University of Miami (EUA). Atualmente, é professor no Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Santa Catarina.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Que fatores estão causando o desaparecimento das abelhas das colmeias? Desde quando esse fenômeno está ocorrendo?

Afonso Inácio Orth – Esse fenômeno do desaparecimento das abelhas e o colapso das colmeias nos países do hemisfério Norte, Estados Unidos e Europa, começou em 2007 e várias causas foram atribuídas a ele, embora não se tenha encontrado nenhuma resposta definitiva. No Brasil houve em vários momentos diferentes supostos desaparecimentos de abelhas, mas não necessariamente na mesma dimensão verificada no hemisfério Norte. Nós, em Santa Catarina, tivemos um problema muito sério na primavera passada. Álias, esse problema tem se agravado muito e sempre nesta mesma época do ano.

IHU On-Line – O desaparecimento das abelhas já pode ser considerado um fenômeno mundial?

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Raquel Rigotto: A herança maldita do agronegócio

por Manuela Azenha

O uso dos agrotóxicos não significa produção de alimentos, significa concentração de terra, contaminação do meio ambiente e do ser humano

Raquel Rigotto é professora e pesquisadora do Departamento de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará. Coordenadora do Núcleo Tramas – Trabalho, Meio Ambiente e Saúde, Raquel contesta o modelo de desenvolvimento agrícola adotado pelo Brasil e prevê que para as populações locais restará a “herança maldita” do agronegócio: doenças e terra degradada.

Desde 2008, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos para se tornar o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Segundo dados da Organização das Nações Unidas, é também o principal destino de agrotóxicos proibidos em outros países.

Na primeira parte da entrevista, Raquel fala sobre o “paradigma do uso seguro” dos agrotóxicos, que a indústria chama de “defensivos” agrícolas. De um lado todo mundo sabe que eles são nocivos. De outro se presume que haja um “modo seguro” de utilizá-los. O aparato legislativo existe. Mas, na prática… Raquel dá um exemplo: o estado do Ceará, que é onde ela atua, não dispõe de um laboratório para fazer exames sobre a presença de agrotóxicos na água consumida pela população. Ela começa dizendo que em 2008 e 2009 o Brasil foi campeão mundial no uso de venenos na agricultura.

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Ervas medicinais: os conselhos de Drauzio Varella

O médico fala sobre sua nova série no Fantástico, ‘É bom pra quê?’, que estreia no dia 29

Quantas vezes na vida você ouviu a expressão “se não fizer bem, mal também não faz”? Nós, brasileiros, gostamos de pensar que tudo o que é natural é necessariamente benéfico. Temos medo dos efeitos colaterais dos remédios, mas não nos preocupamos em saber se chazinhos ou cápsulas naturais causam reações indesejáveis. A resposta é sim. A natureza tem venenos poderosos.

No ano passado, escrevi uma coluna sobre os riscos da interação entre ervas muito populares e medicamentos convencionais. Uma lista de várias combinações perigosas você encontra neste link. Volto ao tema hoje com uma ótima novidade. O médico Drauzio Varella estreia no dia 29 mais uma de suas excelentes séries no Fantástico, da TV Globo. Ela vai se chamar É bom pra quê? Em quatro domingos, Drauzio vai apresentar uma ampla investigação sobre ervas e fitoterápicos. A equipe viajou para nove Estados e levantou as evidências científicas relacionadas às ervas mais usadas no Brasil. As revelações vão surpreender muita gente. E, certamente, provocar controvérsia.

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Leia entrevista com Gerdt Hatschbach, defensor da floresta

O botânico percorre o PR desde os anos de 1943 preservando e catalogando as espécies

Gerdt_Hatschbach

Mesmo antes do “Meio Ambiente” virar moda na mídia, nos discursos de políticos e de ambientalistas, Gerdt Hatschbach, lá pelos meados da década de 60, já andava metido em movimentos em defesa da floresta Atlântica, da Serra do Mar, em especial, o Pico do Marumbi. Nesta entrevista ele fala em biodiversidade, defende as florestas, faz crítica aos “falsos reflorestamentos” da indústria de papel e diz que a biopirataria começou com a chegada dos portugueses.

Autodidata com título de Doutor Honoris Causa em Botânica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), desde 1943 percorre o Paraná, o Brasil e alguns países das Américas para observar as espécies da flora, cuja maioria já está introduzida no mercado de plantas ornamentais e com valores medicinais.

Aos 83 anos, e, mesmo aposentado, ele mantém a rotina diária — de segunda à sexta, acorda às 6 da manhã para se preparar para fazer o que mais gosta — ir para o trabalho. Hoje ele cuida do Museu Botânico de Curitiba que fica no Jardim Botânico. Costuma brincar dizendo que conserva o corpo com mesma técnica usada para conservar as plantas — à base de álcool e naftalina. O Álcool é usado para desidratar as plantas que são embaladas e catalogadas cientificamente e a naftalina para espantar as traças que costumam visitar o museu para “beliscar” as folhas das quais ele cuida como parte de sua família.

Hatschbach é a própria história dos estudos botânicos em Curitiba. Ele já tem algumas espécies por ele descobertas que leva seu nome, por exemplo, a Fúcsia Hatschbachii — que já está sendo plantada em jardins públicos de Paris.

Jornal do Estado — Muito antes dos termos, “Meio Ambiente”, “Biodiversidade”, “Biopirataria” “Preservação Ambiental” entrarem na moda, o senhor já andava envolvido com movimentos em defesa da Serra do Mar. A partir de quando os ambientalistas começaram a se preocupar com isso?

Gertd Hatschbach — A gente nem usava o termo ambientalista. Mas já nos preocupávamos com a preservação porque a gente via, in loco, a devastação desenfreada. Era preciso tomar uma atitude. Então, eu, o Bigarela (João José Bigarella, professor de geologia da UFPR) e outros colegas de áreas afins, nos juntamos com alguns jornalistas da Gazeta do Povo, em 1965. A gente se reunia, toda semana para discutir o assunto e criamos um movimento de preservação da Serra do Mar. E essas discussões viravam artigos publicados no jornal.

JE — E hoje, como o senhor avalia os movimentos, organizações e as legislações preservacionistas?

Hatschbach — Hoje as coisas são bem diferentes. O nível de consciência é outro. As pessoas estão menos egoístas e mais preocupadas com as futuras gerações. O trabalho de preservação é levado a sério. Curitiba tem legislação que oferece descontos nos impostos territoriais para quem possui área preservada. Isso é um avanço.

JE — Como o senhor analisa o reflorestamento da indústria do papel que optaram pelo pinus elliots e eucaliptus que não são nativos de florestas brasileiras?

Hatschbach — Um crime. Essas espécies destroem o meio ambiente porque subtraem excessiva quantidade de nutrientes do solo para poder resistir e se adaptar. Não servem para reflorestar, ao contrário, são predadores ambientais. Espantam até animais e se proliferam com muita rapidez, impedindo o crescimento das espécies nativas.

JE — Que espécies o senhor sugere para o reflorestamento?

Hatschbach — Temos o pau-de-vinho e a guaricica que são espécies que demoram um pouco mais para crescer, mas produzem fibras muito melhores para a produção de celulose. São árvores bonitas e produzem florada que atraem outras espécies de animais. Embaixo do eucalipto não nasce nada. Nem cobra sobrevive à sua sombra.

JE — E a biopirataria? É um fenômeno dos anos 80, 90?

Hatschbach — Claro que não. A biopirataria começou com a chegada dos portugueses ao Brasil.

JE — E como é hoje?

Hatschbach — Do mesmo jeito de sempre. Desde pessoas disfarçadas de turistas, até os “mateiros” que servem muitas vezes, até sem muita consciência, aos grandes laboratórios multinacionais. São pessoas que tem conhecimentos (de pai para filho) das propriedades medicinais de plantas, muitas vezes dominam a técnica de conservação, armazenagem e transporte e mandam ver floresta adentro. A gente sabe que tem mochileiros disfarçados que atuam como piratas da floresta.

JE — A Prefeitura de Curitiba tem um projeto para plantar espécies nativas da floresta Atlântica nos parques da cidade.

Hatschbach — Estamos cultivando no Jardim Botânico trinta espécies da Serra do Mar paranaense — entre elas, xaxim, guapuruvu, quaresmeira, palmito, ipês, cauvi. Algumas espécies, como o guapuruvu, podem chegar a 30 metros de altura. O cauvi, encontrado na Serra da Graciosa, tem uma flor de cor creme com um perfume tão extraordinário que seria a essência perfeita para um perfume de mulher.

JE — E quanto à adaptação dessas espécies ao solo e clima urbano?

Hatschbach — Antes do plantio, foi feito um estudo de distribuição das plantas no terreno para garantir o desenvolvimento da floresta. A transformação do ambiente nesta área do Jardim Botânico será notada dentro três anos, quando as plantas estarão bem formadas. Como são espécies nativas de ambientes úmidos, serão irrigadas diariamente.

Fonte: [ Bem Paraná ]


Gerdt Guenther Hatschbach, fundador do Museu Botânico Municipal de Curitiba. Considerado o maior botânico de campo do Brasil, Hatschbach faleceu aos 89 anos, na madrugada de 16/04/2013. Gerdt Hatschbach formou-se em Química na Universidade Federal do Paraná em 1945 e pós-doutorou-se na mesma instituição em 1986. O professor deixa esposa. Não teve filhos.

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