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Mosquito da dengue sobrevive comendo somente planta

por Anahi Zurutuza

Foto: [ Portal do Seridó ]

Foto: [ Portal do Seridó ]

Ter a planta conhecida como Coroa de Cristo [Euphorbia milii] em casa significa risco à saúde dos moradores e da vizinhança. O arbusto espinhoso, muito usado em residências como cerca viva, serve de alimento para o mosquito transmissor da dengue, que pode passar a vida toda alimentando-se apenas do néctar contido nas flores da planta.

A descoberta é do biólogo e pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Antônio Pancrácio de Souza e da orientanda dele no curso de Biologia da universidade, Nathalia Cavichiolli de Oliveira, que há 12 meses estudam os hábitos alimentares do Aedes aegypti.

Segundo o professor, que é doutor em Entomologia (ciência que estuda os insetos), já se sabe que o Aedes aegypti macho não se alimenta de sangue humano, mas que a fêmea depende do sangue para a maturação os ovos antes de botar e é no momento da picada que ela transmite o vírus da dengue para as pessoas. Contudo, de acordo com Pancrácio, tanto o mosquito macho, quando a fêmea são capazes de completar o ciclo de vida, que dura em média 30 dias, alimentando-se apenas das flores da Coroa de Cristo.

O pesquisador explica que a planta, portanto, “contribui para a manutenção da população do mosquito transmissor da dengue”. Segundo Pancrácio, não se pode dizer que a Coroa de Cristo necessariamente funciona como atrativo para o inseto, mas a fêmea pode manter-se viva e nutrida nas proximidades do arbusto até encontrar o humano para alimentar-se do sangue, amadurecer os ovos e, então, procriar. “Ter esta planta em casa facilita a sobrevivência da população de Aedes aegypti e mantém o mosquito perto de quem ele não deveria estar”.

Motivação

Antônio Pancrácio afirma que há alguns anos pesquisa plantas que serviriam como inseticida contra o mosquito e que teve a ideia de estudar os hábitos alimentares do inseto para poder contribuir com mais informações sobre o transmissor da dengue para que autoridades em Saúde Pública tenha subsídios para combater o vetor. “Já se sabe que as orquídeas e as bromélias são planta propícias para a sobrevivência dos ovos e larvas do mosquito da dengue[*], mas nosso objetivo era estudar o adulto. E a nossa descoberta só mostrou que alguns pontos da ecologia e da biologia básica do inseto ainda precisam ser estudadas”.

Segundo o biólogo, o primeiro passo da pesquisa foi perguntar em diversas floriculturas de Campo Grande quais eram as plantas mais vendidas para uso em residências. Foram elencadas sete plantas. Os mosquitos foram mantidos confinados com cada planta e apenas os que estavam alimentando-se do néctar da Coroa de Cristo sobreviveram.

Última fase

A pesquisa caminha para a reta final. Segundo o professor, ainda este semestre serão feitos mais estudos que servirão como prova definitiva de que o Aedes aegypti pode alimentar-se apenas da Coroa de Cristo. “Vamos verificar se os açucares existentes no néctar da planta estão no organismo do mosquito. Se estiverem, ficará provado que ele realmente estava alimentando-se destas flores”.

De um modo geral, Pancrário afirma que ficou constatado que as plantas ornamentais presentes em nossos quintais podem favorecer a sobrevivência dos mosquitos adultos e isso deve servir de alerta para a população. “Estamos padronizando os experimentos nesta planta, de modo a servir como modelo para testes com outras espécies”, justifica.

No final do ano, o biólogo pretende publicar artigo científico para divulgar a descoberta. A pesquisa desenvolvida pelo professor e a aluna foi financiada pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado do Mato Grosso do Sul (Fundect).

Fonte: [ Correio do Estado ]
imagem: [ Portal do Seridó ]


[*] Bromélias não constituem focos preferenciais do mosquito do dengue

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Flores – Aparecimento e Evolução

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Flores – Aparecimento e Evolução
Dra. Alexandra Gobatto[1]

Quem nunca se encantou com a perfeição de formas e cores de uma orquídea, tulipa, dália, agapanto, rosas e violetas? Azáleas…

Flores… das mais sofisticadas e vistosas às mais simples e pequeninas, não importa, sempre enfeitam e alegram qualquer paisagem. Porém, não foi para os olhos humanos que a natureza desenvolveu e aprimorou esta fonte de inspiração.

Na verdade, as primeiras flores (parecidas com as magnólias) surgiram bem antes do aparecimento do homem na Terra e depois do desaparecimento dos dinossauros, os quais nunca, em tempo algum, correram atrás de suas presas em campos floridos… tampouco comeram margaridas…

Segundo uma das teorias evolutivas existentes, a flores surgiram no Cretáceo, há 135 – 65 milhões de anos, em um período em que insetos primitivos, como os besouros, comiam e/ou danificavam os óvulos (gametas femininos) que ficavam expostos nos cones hermafroditos de extintas gimnospermas.

Dessa forma, ocorreram diversas pressões seletivas sobre essas plantas, que levaram ao aparecimento de estrutura com a função de encerrar os gametas no seu interior.

Essa nova estrutura, chamada de ovário, protege os gametas femininos e não impede, no momento propício, que ocorra a fertilização (união dos gametas masculino e feminino).

A partir da fertilização ocorre o desenvolvimento da semente contendo o embrião da futura planta e conseqüente perpertuação da espécie.

A flor é, portanto, o órgão de reprodução vegetal.

Mas e a polinização?

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A polinização, ou seja, a transferência do pólen para a parte feminina era feita pelo vento, o grande disseminador das gimnospermas.

Esse pólen não encontrava barreiras para atingir o óvulo, pois este ficava exposto ao ambiente.

Acontece que a partir do seu encerramento no ovário houve a necessidade da intervenção de outros agentes, que não somente o vento, para efetuarem o transporte de forma efetiva: os agentes polinizadores.

Mas… como chamar a atenção desses agentes? Quem seriam esses polinizadores?

Como vencer as competições entre si e garantir a constância de suas visitas?

Tornava-se necessário, então, oferecer ao animal (insetos inicialmente) recursos energéticos, ou seja, alimento, mantendo assim suas visitas freqüentes e, da mesma forma, criar uma interdependência.

Dessa maneira, a diversidade que observamos nas cores das pétalas (amarelas, azuis, vermelhas, brancas…), o odor (suave, fortemente adocicado ou acre), a produção de grandes quantidades de pólen e néctar (que são os alimentos procurados pelos agentes polinizadores), a forma da flor (radial, tubular, afunilada), o período do dia ou da noite em que ocorre a abertura da flor, constituem um conjunto de atrativos florais e adaptações que são reconhecidos pelos polinizadores, oriundos de um processo de coevolução gradual, ao longo do tempo, entre plantas e animais.

Considerando que muitas espécies vegetais podem apresentar especificidades quanto ao polinizador, tornam-se fascinantes e de grande importância científica as pesquisas no campo da ecologia da polinização, cujo número de trabalhos vem aumentando significativamente nas últimas décadas.

foto: Daise Vasconcelos

foto: Daise Vasconcelos

Eles nos revelam esse notável mundo da reprodução vegetal e nos torna conscientes dessa rede de interdependência que existe e que deve ser preservada, pela própria manutenção da biodiversidade e qualidade de vida de todos nós.

De qualquer maneira, mesmo não sendo nós os responsáveis pelo aparecimento das flores na Terra, seremos seus eternos admiradores, com o compromisso de garantirmos sua conservação em nosso meio e de todas as inter-relações que as acompanham.


Notas & Créditos

[1] Alexandra Gobatto – Bióloga, Mestre e Doutora em Botânica pela Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho”(UNESP, Rio Claro), área de biologia reprodutiva vegetal. Atualmente trabalha no Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, no Núcleo de Educação Ambiental.
E-mail: agobatto@jbrj.gov.br

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Pirataria de flores e plantas prejudica setor de floricultura

Foto: Manu Pivatti

Uso de plantas não legalizadas resulta em concorrência desleal entre produtores e inibe entrada de variedades no país

Por Silvana Godoy

Novas cores, novas formas, maior durabilidade, alta produtividade. As mais belas flores e plantas ornamentais utilizadas por decoradores ou comercializadas em floriculturas e supermercados são, geralmente, resultado do melhoramento genético. Para produzi-las, entretanto, empresas e agricultores precisam investir em mudas legalizadas, o que nem sempre acontece. A afirmação é da Sociedade Brasileira de Proteção de Cultivares de Flores e Plantas Ornamentais (ABPCFlor) que na última sexta-feira, 17 de junho, promoveu uma marcha para alertar sobre o problema.

Chamada de pirataria, essa prática se configura quando produtores ou empresas produzem ou propagam novas variedades sem licenciamento. “As novidades do setor só podem ser cultivadas se adquiridas as mudas legalizadas”, explica a presidente da ABPCFlor, Clarice Bocchese da Cunha Simm.

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Arte Oshibana

A curiosa e ainda desconhecida arte japonesa de prensar flores e folhas para montar quadros ganha uma exposição em São Paulo

Oshu significa prensar e bana, flores, ambos na língua japonesa. Juntos, dão nome a essa arte que consiste em desidratar e prensar flores e folhas para compor quadros de uma beleza ímpar. É o que traz a mostra Oshibana Art – Arte com Flores Prensadas, que acontece entre 11 e 17 de junho, no hotel Blue Tree Premium Paulista, em Cerqueira César.

Uma curiosidade sobre a arte é que ela não surgiu na terra do sol nascente, mas sim na Europa. “Não se sabe a data exata, mas por volta do século 16, na Itália e na Inglaterra, foram encontrados objetos em moldura com flores naturais. A arte só chegou ao Japão no século 19”, conta Mirian Tatsumi, organizadora da exposição e fundadora da Escola Oshibana Art, onde também dá aulas dessa delicada arte.

Embora a oshibana hoje tenha o status de arte, a ideia de desidratar plantas é de ordem mais prática: facilitava o transporte das ervas medicinais sem perder muito das suas propriedades terapêuticas. Isso valia muito, devido às enormes distâncias percorridas por navios ou em caravanas a cavalo. “Médicos e botânicos usavam as plantas secas em chás e remédios”, explica.

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Flor do Cerrado

Com nome de flor, cercada de flores por toda parte, Rose Mendes faz de seu artesanato popular uma história de sucesso.


Eu comecei como Rose, uma flor só, hoje já sou um jardim. Somos 27 pessoas envolvidas. Sozinho ninguém vai a lugar algum”. Rose Mendes fala sem deixar de mexer as mãos. Junta folhas em camadas concêntricas e amarra a base com firmeza: mais uma flor está pronta e vai para uma grande caixa de papelão, esperando a vez na montagem de um sofisticado painel de parede ou uma bolsa social, que nada deve em design aos melhores estilistas.

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Flores à la carte

Conheça as espécies comestíveis e saiba como cuidar de cada uma delas

por Juliana Guimarães, especial para o iG São Paulo

Foto: Getty Images
As diversas cores do amor-perfeito, levemente amargo, alegram o prato

Aproveite a chegada da primavera para levar as flores também à mesa. Além de enfeitar os pratos, espécies como a capuchinha, a flor de abóbora e o amor-perfeito, quando plantadas de forma orgânica, se transformam em ingredientes agradáveis ao olhar e ao paladar.

Para garantir a qualidade, ter um jardim de flores comestíveis em casa é mais do que recomendado. “Dessa forma você terá certeza de que elas estão livres de agrotóxicos”, afirma o botânico Gil Felippe, autor do livro “Entre o Jardim e a Horta” (editora SENAC). “Nunca compre em floriculturas ou locais não especializados em alimentos, pois as flores são normalmente tratadas com agrotóxicos”, completa.

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PRODUÇÃO DE MUDAS: frutíferas e florais

por Carlos Josafá de Oliveira

Exemplo de um viveiro abero

CONCEITUAÇÕES:

MUDA – estrutura vegetal de qualquer espécie ou cultivar, proveniente de reprodução sexuada ou assexuada convenientemente produzida e que tenha finalidade específica de plantio.

a) Fruteira – muda de espécie botânica produtora de frutos,comumente cultivada em pomares.
b) Ornamental – muda de espécie botânica, comumente usada para ornamentação.
c) Seminal – muda originária de semente
d) Clonal – muda originária da parte vegetativa da planta
e) Muda de torrão – muda com o sistema radicular envolvido por porção do solo devidamente acondicionado.
f) Muda de raiz nua – muda com o sistema radicular exposto, devidamente acondicionado.
g) Pé franco – muda obtida de semente, estaca, ou raiz, sem o uso de enxertia.
h) Estaca – ramo da planta matriz usado para a multiplicação por enraizamento.
i) Planta matriz – planta-mãe de onde se extrai as hastes (garfos, borbulhas etc).
j) Clone – planta ou conjunto de plantas genéticamente iguais à planta-mãe.
l) Enxertia – método de propagação vegetativa usado para substituição de copa da planta.
m) Porta-enxerto ou cavalo – parte da enxertia que entra com as raízes.
n) Enxerto ou cavaleiro – parte da enxertia que fornece a copa.
o) Propagação vegetativa – processo de reprodução assexuada das plantas.
p) Reprodução sexuada – processo de reprodução com a participação de células reprodutivas.
q) Viveiro – área convenientemente demarcada para a reprodução de mudas.
r) Produtor de mudas – pessoa física ou jurídica que produza sementes ou mudas, com a finalidade específica de semeadura ou plantio, assistida por um responsável técnico.
s) Responsável Técnico – Engenheiros Agrônomo ou Florestal com registros no CREA – Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia que, apresentando Termo de Compromisso ao órgão de Registro de Produtor de Sementes e Mudas do Ministério da Agricultura e Abastecimento, atenda às normas estabelecidas para todas as fases de produção.

LEGISLAÇÃO DA PRODUÇÃO DO COMÉRCIO DE MUDAS

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Mercado de flores comestíveis cresce no Brasil

Produto tem como principal foco a alta gastronomia

Mercado de flores comestíveis cresce no Brasil

Tradicionalmente usadas na decoração, as flores têm ganhado um espaço cada vez maior também na culinária. O mercado de flores comestíveis, já consolidado no exterior, cresce a cada ano no Brasil e tem como principal foco a alta gastronomia.

O carpaccio de robalo, prato da cozinha japonesa, ganha beleza, sabor e aroma com quatro tipos de flores. A preparação é quase uma arte. As pétalas precisam ser manuseadas com uma espécie de pinça gigante, algo que o chefe de cozinha Shinya Koike domina e faz com muito gosto. Na profissão há 20 anos, ele veio do Japão e abriu um restaurante em São Paulo. na culinária oriental, o uso das flores já é tradição.

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Flores no deserto

por Rui Xavier

Deserto de Atacama com flores


O Chile está assistindo a um fenômeno climático que mudou a face do deserto de Atacama, considerado um dos locais mais áridos do mundo. Em alguns anos, entretanto, ocorrem chuvas que resultam no chamado “deserto florido”, fazendo desabrochar variadas espécies de flores entre os meses de julho e agosto, e que podem durar até novembro.

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Como cultivar rosas?

Rosa soroptmista

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Elas ganharam notoriedade por estarem vinculadas ao nosso dia a dia como presentes em forma de buquês, arranjos e até sozinhas.

 

A mais famosas das flores, cantada em verso e prosa por autores de todos os tempos, está ligada Vênus e ao amor. Acredita-se que ela tenha surgido na Pérsia e conquistadores árabes a tenham levado para outras partes do mundo.

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