Anvisa libera uso terapêutico do canabidiol no País

por Lígia Formenti

Substância derivada da maconha não tem efeito psicoativo, ajuda a reduzir crises convulsivas e figura em lista de uso controlado

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BRASÍLIA – O uso terapêutico do canabidiol está permitido no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na manhã desta quarta-feira, 14, por unanimidade a mudança na classificação da substância, presente na maconha. Ela deixa a lista de produtos proscritos e passa a figurar na lista C1, de substâncias de uso controlado.

A decisão é fruto de uma discussão iniciada ano passado, quando familiares de crianças que sofrem recorrentes crises de convulsão começaram uma movimentação para a liberação do produto, cujo uso é permitido em outros países.

Estudos mostram que o canabidiol, que não tem efeito psicoativo, ajuda a reduzir as crises convulsivas. Katiele Bortoli, mãe de Anny Fischer, uma das primeiras pacientes brasileiras a usar o produto para tentar reduzir as crises, emocionou-se ao fazer a defesa da reclassificação.

Katiele Bortoli, mãe da pequena Anny Fischer, emocionou-se ao fazer defesa da reclassificação do canabidiol

“Esse momento é muito importante. Sabemos que não se trata da cura, mas esperança na qualidade de vida das crianças”, disse Katiele. “Esperamos que a mudança estimule a realização de estudos científicos para conhecer mais sobre a substância e sua interação com outros medicamentos”, completou.

De acordo com Katiele, depois de vários meses com crises controladas, Anny voltou semana passada a apresentar um aumento de convulsões. A piora estava relacionada à interação com outro medicamento, que a menina passou a usar. “Interrompido o uso, as crises foram novamente controladas”, contou a mãe.

A presidente da Federação Brasileira de Epilepsia, Maria Carolina Doretto, afirmou esperar que, com a reclassificação, indústrias farmacêuticas passem a sintetizar o produto. Ela defendeu ainda que ele seja rapidamente incorporado no Sistema Único de Saúde (SUS). “Seguindo os padrões estabelecidos pelo Conselho Federal de Medicina”, destacou.

Júlio Américo Neto, pai do menino Pedro, também defendeu a ampliação de estudos e a criação de uma política nacional da cannabis medicinal, para distribuição de medicamentos feitos a partir do canabidiol para tratamento de pacientes.

Na justificativa de seu voto, o presidente em exercício da Anvisa, Jaime Oliveira, lembrou que o canabidiol não é considerado um produto entorpecente ou psicotrópico e não há relatos de que ela possa provocar dependência.

Já o diretor Renato Porto, que também votou pela reclassificação, fez avaliação semelhante. Ele ressalvou, no entanto, não haver estudos que mostrem a eficácia e a segurança do produto a longo prazo, uma lacuna que, em sua avaliação, é preciso ser reparada.

Fonte: [ Estadão ]

Cristovam Buarque entrega relatório sobre a SUG-8

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Nesta terça-feira dia 18 de novembro o Senador Cristovam Buarque entregou à presidente da Comissão de Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH), senadora Ana Rita (PT-ES), o relatório da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa sobre a Sugetão 8/2014, que propõe a Regulamentação da Maconha para fins Medicinais, Recreativos e Industriais.

O documento de 165 páginas pode ser acessado [ no site do Senado ], boa parte trata-se de uma pesquisa de 130 páginas sobre os usos da maconha, os potenciais impactos positivos e negativos de sua regulação e as políticas e experiências internacionais sobre drogas. Além das considerações do Senador o relatório também inclui um projeto de lei que regulamenta o uso medicinal da canábis e os processos aplicados desde a sua produção até a entrega ao uso.

Em entrevista para a Agência Senado, Cristovam reconheceu que há muitos grupos de pressão preocupados em influenciar uma decisão sobre a regulamentação da maconha. Além do lobby de religiosos, contra a liberação, donos de clínicas temeriam que as famílias parem de levar os usuários para tratamento. Do outro lado, o senador diz que há lobby de laboratórios, que têm interesse em produzir novos medicamentos para obter lucro.

Mesmo ainda em dúvida acerca a regulamentação do uso recreativo, Cristovam é enfátivo quanto ao uso medicinal – O uso medicinal sob a forma de remédio tem que ser regulamentado imediatamente. Não se justifica deixar centenas, milhares de pessoas sofrendo, sabendo que há um remédio disponível e que as pessoas não têm acesso porque tem uma proibição – disse o senador em entrevista à Agência Senado.

Se a comissão aprovar o relatório de Cristovam, uma subcomissão deve ser criada para analisar as proposições que julgar importantes sobre o tema. O senador deixou claro que, apesar de defender mais debates, é contra o arquivamento da sugestão.

– Eu digo: não se arquive a sugestão. Porque, se eu dissesse arquive-se, acabaria tudo. E nem se aceite plenamente ainda. Que se discuta mais o assunto – concluiu.

Fonte: [ Sem Semente ]

PARECER da COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E LEGISLAÇÃO PARTICIPATIVA sobre a Sugestão 8/2014, que propõe a Regulamentação da Maconha para fins Medicinais, Recreativos e Industriais:

http://legis.senado.leg.br/mateweb/arquivos/mate-pdf/156942.pdf

ILEGAL

ILEGAL conta a história de Katiele, uma brasileira que luta para tratar a epilepsia de sua filha de 5 anos com CBD, uma substância derivada da maconha e proibida no país.

O filme é parte do projeto REPENSE, que pretende trazer informação e debate em torno do uso da Cannabis medicinal.

APOIE O PROJETO EM: http://www.catarse.me/REPENSE

Legalização da maconha acabou com tráfico de drogas no Uruguai

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Redação – Agência Senado

No Brasil, o primeiro debate para tentar definir se a regulamentação do comércio e uso da maconha deve ser discutida como um projeto de lei no Senado aconteceu na segunda-feira (2).

O principal convidado à audiência, o secretário Nacional de Drogas do Uruguai, Julio Calzada, destacou o efeito positivo da legalização do comércio da droga sobre a criminalidade no país. Segundo ele, o narcotráfico e os crimes correlatos foram destruídos no país com uma série de medidas descriminalizadoras. Ele ressaltou que o Uruguai despenalizou o uso de drogas há 40 anos e a evolução do consumo e seus aspectos colaterais são semelhantes aos dos países que ainda criminalizam o uso.

“Temos a convicção de que um país que alcança a cidadania plena é aquele que melhor convive, e não necessariamente o que mais reprime”, afirmou.

Calzada destacou, contudo, que a liberação exige educação para evitar o hábito do consumo. No Uruguai, desde 2006, o mercado do tabaco tem sido regulado pelo Estado, com proibição da publicidade. Como resposta, o consumo de tabaco, que era de 31% entre meninos e adolescentes em 2006, caiu a 12% em 2012.

No caso da maconha, há também normas para o controle do consumo, com o registro dos usuários no momento da compra e limites para o plantio. Uma pessoa pode ter até seis pés de maconha em casa, longe de crianças, e pode haver clubes de até 45 membros com 99 plantas.

“A maioria das pessoas não vai querer plantar em casa, mas pode recorrer ao comércio legal. Isso é respeitar os direitos humanos. Mas entendemos que a maconha precisa ter controle, porque tem riscos para a saúde. É preciso uma intervenção direta do Estado para garantir que o marco legal seja respeitado, assim como seus limites”, disse Calzada.

Como ressaltou, o Uruguai acabou com o narcotráfico, mas há a consciência de que não existe a possibilidade de um mundo sem drogas. “E por que a pessoa que deseja usar a maconha para fins medicinais ou recreativos precisa se envolver com o narcotráfico, com pessoas sem escrúpulos, com a máfia? O fenômeno do narcotráfico é absolutamente econômico. No Uruguai, o mercado de maconha representava 90% das drogas ilegais em narcotráfico”.

ENQUANTO ISSO, NO BRASIL…

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), responsável por elaborar parecer na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) à sugestão popular que define regras para o uso recreativo, medicinal e industrial da maconha fez questão de ressaltar que regulamentação não é liberação. “Nosso desafio é quebrar o tráfico e eliminar a necessidade de drogas para satisfazer o vazio que cada um sente e que leva ao uso”, disse.

Pela sugestão, enviada pelo Portal e-Cidadania, seria considerado legal “o cultivo caseiro, o registro de clubes de cultivadores, o licenciamento de estabelecimentos de cultivo e de venda de maconha no atacado e no varejo e a regularização do uso medicinal”.

Entre os que acompanhavam o debate no Senado, houve muito mais opiniões contrárias do que favoráveis à regulamentação da maconha. Por outro lado, as manifestações dos internautas pela página interativa da audiência pública foram mais favoráveis à liberação do consumo.

Fonte: [ Planeta Sustentável ]

Jean Wyllys protocola projeto que pede a regulamentação da maconha

Para deputado, “guerra às drogas” é um fracasso que apenas criminaliza jovens da periferia. “Parlamento brasileiro precisa reconhecer que a política de ‘guerra às drogas’ é um fracasso e só produz violência, morte e a criminalização da pobreza”, acredita

Por Redação

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O deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) protocolou na tarde hoje (19) o projeto de lei 7270/2014 que visa regulamentar o plantio, o uso recreativo e a comercialização da maconha em todo o território brasileiro. Wyllys afirma que o “parlamento brasileiro precisa reconhecer que a política de ‘guerra às drogas’ é um fracasso e só produz violência, morte e a criminalização da pobreza”.

Na defesa de seu projeto, Wyllys questiona a “legislação que proíbe a maconha e as outras drogas de um lado e, por outro lado, todo um sistema de produção e comercialização que funciona, sem qualquer impedimento, no mundo real”. O parlamentar também argumentou que quase sempre quem morre na mão da polícia ou de uma facção rival são “os pobres, favelados e na maioria dos casos, jovens negros” e que, logo depois que morrem, são substituídos e o comércio ilegal continua.

Jean Wyllys também declarou que é necessário haver um controle sobre a qualidade da substância comercializada. “Ninguém sabe a composição da droga que é vendida, sua qualidade não passa por qualquer tipo de fiscalização nem precisa se adequar a nenhuma norma, o consumidor não recebe qualquer tipo de informação relevante para a sua saúde e segurança, diversos processos de industrialização (como o prensado de maconha para fumo com amônia, altamente tóxica) são realizados sem qualquer fiscalização. Não há restrições à venda que impeçam o acesso dos menores de idade a esse comércio ilegal — seja como compradores, seja como vendedores ou ‘soldados’ do tráfico. Está tudo errado!”, criticou.

Wyllys reconheceu que o projeto é polêmico, mas disse esperar que a partir do seu PL seja realizado um debate nacional e declarou que o “Brasil precisa mudar”. Além da Câmara dos Deputados, no Senado também corre uma iniciativa que está sob relatoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que vai realizar uma série de audiências públicas podendo, posteriormente, construir um projeto de lei sobre o assunto.

Para conhecer o projeto de lei sobre a regulamentação e comercialização da maconha no Brasil, do deputado Jean Wyllys, [ clique aqui ].

Fonte: [ Portal FORUM ]

Maconha pode impedir que o HIV se espalhe, diz estudo

“Sim, mais uma grande utilidade médica da maconha descoberta. Muitas ainda virão, pois os receptores sobre os quais os componentes da maconha atuam regulam e orquestram praticamente todas as funções fisiológicas do organismo. Inclusive a multiplicação e a ativação de celular do sistema imune. Além disso, há indícios de ação antiviral. Lester Grisnspoon, famoso médico de Harvard, especialista no uso medicinal da maconha, afirmou corretamente que a maconha terá (e esta tendo) um impacto tão importante ou maior que o da penicilina.” – Renato Malcher

Estudo realizado pela Louisiana State University diz que o THC pode impedir que o HIV se espalhe e que ajuda no aumento de células saudáveis

Por Redação

Estudo diz que maconha pode ajudar na produção de células saudáveis frente ao HIV

Estudo diz que maconha pode ajudar na produção de células saudáveis frente ao HIV

Uma pesquisa da Louisiana State University com macacos aponto para o aumento de células sadias com o uso da maconha. Já faz algum tempo que o uso da erva é utilizado como tratamento terapêutico contra alguns sintomas da Aids, por exemplo, dores e perda do peso. Porém, esta pesquisa também descobriu que cannabis pode ser útil para impedir que a doença se espalhe.

Os cientistas aplicaram durante 17 meses doses diárias de THC (substância ativa da maconha) em macacos infectados por uma versão animal do HIV. Durante o período, os pesquisadores observaram que os prejuízos ao sistema imunológico dos estômagos dos animais, área que costuma ser a mais afetada, tiveram os seus danos reduzidos.

Ao Huffington Post, a coordenadora da pesquisa, Dra. Patrícia Molina, disse que “estes resultados revelam novos mecanismos que podem contribuir potencialmente para o controle da doença por meio da cannabis”. Molina também explicou que enquanto o vírus HIV ganha força se espalhando por meio de infecções que matam as células, os macacos que receberam doses de THC mantiveram altas taxas saudáveis durante o tratamento.

Pesquisas anteriores também concluíram que macacos infectados pelo HIV e tratados com THC sobreviveram mais tempo. Em 2012, outro estudo apontou que a maconha possui substâncias que podem ser efetivas na luta contra o HIV. No Califórnia Pacific Medical Center, em São Francisco (EUA), cientistas alegaram que os componentes da maconha também podem ser úteis para tratar formas agressivas de câncer.

Fonte: [ Revista Forum ]

O novo status da maconha

por Elisaldo Carlini(*)

No século 19, medicamentos à base da maconha (Cannabis sativa L) eram disponíveis aos pacientes.

Assim dizia o doutor J. R. Reynolds, médico da rainha Vitória da Inglaterra: “Em quase todas as moléstias dolorosas, eu achei a maconha (“indian hemp”) a mais útil das drogas”. Está escrito em famoso livro da terapêutica americana: “Cannabis é muito valiosa para o alívio da dor, particularmente aquela dependente de distúrbios nervosos…”

E a maconha usada como medicamento naqueles tempos não causava “graves” intoxicações. D. S. Snyder, ao examinar a literatura médica do século 19, diz: “É marcante que muitos relatórios médicos não mencionam qualquer propriedade intoxicante da droga”.

Raramente existia (se é que houve alguma) indicação de que pacientes –e centenas de milhares devem ter recebido Cannabis na Europa no século 19– estivessem “chapados” ou mudassem sua atitude em relação ao trabalho, seus semelhantes, ou sua pátria.

Mas, na metade do século 20, a situação muda totalmente. “A maconha é uma droga totalmente viciante, merecendo o ódio dos povos civilizados”, declarou o governo egípcio, em 1944. Na convenção de 1961, a ONU coloca a maconha, junto com a heroína, na classe das drogas com “propriedades particularmente perigosas”. E a maconha passou a ser considerada “erva do diabo”, satanizada que foi. Não importa discutir quais as razões, certamente pouco científicas, que levaram a tão esdrúxula situação.

Mas, a partir da segunda metade do século 20, o quadro começa a modificar-se, e a maconha renasce como poderoso medicamento para certas patologias médicas.

A identificação dos princípios químicos ativos da maconha, a descrição segundo a qual o cérebro humano tem “receptores” para esses princípios, a surpreendente descoberta de que o nosso cérebro sintetiza uma substância capaz de atuar naqueles receptores (como se tivéssemos uma maconha produzida pelo nosso próprio cérebro, a anandamida) e a descrição de um sistema de neurotransmissão nervosa chamado de sistema canabinoide endógeno trouxeram um novo status científico para a maconha.

E mais: muitos trabalhos científicos clínicos foram feitos no mundo demonstrando claramente que a maconha tem boas propriedades terapêuticas (dores neuro e miopáticas; esclerose múltipla; náusea e vômito resultantes da quimioterapia do câncer; e mais recentemente epilepsia e dores terminais do câncer).

E, ainda, recentes pesquisas epidemiológicas, seguindo milhares de usuários crônicos e até pesados da maconha, feitas em importantes universidades dos Estados Unidos e do Reino Unido, cabalmente mostram que a maconha não afeta o desempenho cognitivo, não produz ganho de peso e não está associada a efeitos adversos da função pulmonar.

Como consequência final desses conhecimentos novos, Canadá, Estados Unidos, Reino Unido e Holanda já têm medicamentos fabricados à base de maconha ou seus derivados. O medicamento fabricado no Reino Unido já foi aprovado pelos Ministérios da Saúde de 13 outros países (o último a aprovar foi a França) e é utilizado clinicamente, sob receitas, em mais de duas dezenas de outros países.

E todos esses fatos estão à disposição do leitor em cerca de um milhar de trabalhos científicos, sendo apoiados pelo “American College of Physician“, “American Medical Association“, Ministério da Saúde de Israel, Espanha, Itália etc. (para maiores detalhes, ver o trabalho de revisão “Cannabis sativa L (maconha): Medicamento que renasce?“).

Até poderia ser dito que, para o opositor brasileiro do uso médico da maconha, à semelhança de uma pessoa ao ser confrontada com um documento que contradiz frontalmente sua superada convicção, declara: não li e não gostei!

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ELISALDO LUIZ DE ARAÚJO CARLINI, 83, é professor titular de psicofarmacologia na Universidade Federal de São Paulo e pesquisador emérito da Secretaria Nacional de Políticas sobre Droga do Ministério da Justiça

Fonte: [ Folha ]

A maconha no altar da penicilina, verdadeira revolução

flores da Cannabis

por HELIO FERNANDES

Reprimida, combatida, proibida, passou a ser considerada suicida. Entrou para a relação das drogas criminosas, custavam a reconhecer que não era nem mesmo uma droga. Grandes personalidades que chegaram aos postos mais altos nos seus países, confessavam que na adolescência fumavam maconha. Sem maiores conseqüências, não era considerado droga.

O presidente do Uruguai, o psiquiatra Lester Grinspoon

A tentativa de reabilitar ou liberar a maconha, parou em muitos obstáculos, principalmente em estados americanos. Faziam concessões que não concediam nada, permitindo apenas o uso medicinal. Só que agora, o ex-guerrilheiro presidente do Uruguai, ganhou as manchetes do mundo, fazendo aprovar no Congresso, liberdade total, para essa maconha que pode ser plantada e consumida por qualquer um. Voltou a expressão, que foi muito citada no Brasil, há pouco, por causa das biografias: “É proibido proibir”.

O Uruguai é um país pequeno, com três milhões de habitantes, mas veio provar que a Justiça provoca satisfação e reconhecimento, muito maiores do que a injustiça. E o mundo que se prende muito mais a notícias de assassinatos, de corrupção, e tudo isso junto com penitenciárias como a de Dona Roseana, colocou nas manchetes, a liberação dessa maconha. Que um psiquiatra que passou a vida estudando o problema, comparou-a à penicilina.

Agora, quem vai desmentir o pesquisador?

Ainda me lembro, eu era pequeno e o mar bramia, quando houve a revolução da Penicilina. Um estrondo de satisfação, o povo que não tinha direito a coisa alguma, teve aberta a caminhada da descoberta, que servia para curar doenças sem fim.

Foi uma consagração, primeiro perplexidade, depois o direito dos povos se utilizarem das mesmas soluções que salvavam e favoreciam as elites enriquecidas com o dinheiro que sobrava da exploração do esforço do trabalhador. E isso resistiu até hoje.

O psiquiatra e suas lições

Grinspoon, com 86 anos de idade, é reconhecido pelo menos por 60 anos de estudo sobre a maconha. Nunca teve medo da droga, nem mesmo se pudesse atuar sobre ele. Para os que se surpreendiam com tanto tempo de convivência com a maconha, respondia sempre: “Uso maconha, pessoalmente, há mais de 40 anos, se prejudicasse minha memória, é evidente que eu já saberia”. E continuou devassando essa planta tão idiozincrizada e assustadora.

Descrição de apenas alguns dos benefícios

Diz que a maconha tem um extenso e ainda não desvendado uso medicinal. Nem fala na satisfação e no uso recreativo da maconha. Começa por dizer que na “Califórnia, médicos receitam para dor nas costas, com sucesso total”.

A maconha já foi utilizada para aliviar dor de cabeça, disenteria, baixar imediatamente a febre, como solução para a depressão, até para acabar com a enxaqueca. E conclui essa lista: “Sozinho, descobri que a maconha é o tratamento por excelência para a dor de cabeça”. Sem contestação de especialistas consultados.

A transformação do psiquiatra

Seu depoimento pessoal é irrefutável. Confessa: “Até 1967 era comum o uso da maconha em festas”. Eu era o primeiro a dizer: “isso deve fazer mal a saúde”. Mas aí o psiquiatra afirma que começou a questionar suas próprias afirmações e convicções sobre a maconha. E, mergulhou no estudo dessa planta, dedicou toda sua vida a constatar sua aplicação e seus benefícios.

Eu um médico, acreditando em versões

Começou se questionando como profissional, reconheceu que como quase todas as outras pessoas, estava enganando a si mesmo, acreditava no que diziam sem o menor fundamento.

Afirmação importante do psiquiatra e pesquisador: “Um dia fui à biblioteca de Harvard para tentar descobrir a base cientifica da maconha. Li todos os estudos e fiquei satisfeitíssimo de reconhecer, eu e quase todas as outras pessoas sofremos lavagem cerebral”. Impressionante a constatação e a confissão.

“A partir de 1973, 40 anos, comecei a fumar. Não queria ser criticado pelo fato de recomendar mas não utilizar a maconha. Nunca mais parei”.

O médico, psiquiatra, professor e pesquisador, garante: “A maconha tem efeito anti-inflamatório, e ação analgésica. Eu tenho complicações de estômago e diabetes, isso me dá terrível sensação de náuseas. Por isso, quando vou a um restaurante, carrego um pouco da erva para emergência, mastigo um pouco e continuo a comer, sem maiores problemas”.

Maconha-penicilina

Para terminar, a consciência e consistência do grande pesquisador, que mais do que ninguém pesquisou coletivamente a maconha e se serviu dela, pessoalmente. “A maconha tem múltiplos efeitos, que serão aproveitados, depois de dissipados os temores. Em muitas doenças ou males, a maconha será uma descoberta para a humanidade, assim como foi a penicilina”.

Que o mundo e a humanidade, reconheçam essa oitava maravilha médica.

Fonte: [ Tribuna da Imprensa ]

Venda de maconha no Colorado ultrapassa 1 milhão de dólares no primeiro dia

Legal Sale Of Recreational Marijuana Begins In Colorado

Em um sistema onde a maconha é legalizada, o tráfico ilegal não tem chance de sucesso.

Chame de quarta-feira Verde se preferir. O ano começou muito bem para as dezenas de lojas de maconha que começaram a funcionar este ano no Colorado.

Segundo o Denver 9News, os proprietários das lojas fizeram mais de 1 milhão de dólares em vendas em todo o estado só neste primeiro dia de venda de maconha para fins recreacionais. A nível nacional, a indústria da maconha legalizada espera faturar US$ 2,34 trilhões em 2014.

A maioria das 24 lojas que abriram quarta-feira foram em Denver. Os proprietários de algumas lojas expressaram preocupação quanto à grande quantia de dinheiro a ser movimentada, uma vez que atualmente os regulamentos bancários federais proíbem os bancos de trabalhar com a indústria da maconha enquanto continuar a ser classificada como ilegal pelo governo federal.

“Nós todos sabemos que isso precisa ser corrigido, pois não há nenhuma boa razão para que essas empresas não sejam autorizadas a ter contas bancárias – apenas maus motivos: falta de segurança e prestação de contas”, diz Mike Elliot, diretor-executivo da associação comercial Medical Marijuana Industry Group.

Talvez em breve uma solução seja providenciada, mas enquanto a indústria pensa nas formas de lidas com todo esse dinheiro, o Colorado aposta na maconha: com a grama da maconha sendo vendida entre US$ 10 e US$ 20 (já com impostos), o estado estima que a venda de maconha no varejo renderá algo em torno de US$ 67 milhões em impostos.

Vale lembrar um importante detalhe: os primeiros US$ 40 milhões em impostos arrecadados do consumo de maconha no colorado serão destinados à construção de escolas, e o restante para a regulamentação da ganja.

O que vemos é um exemplo de sucesso, respeito e dignidade. Um mercado bilionário está apenas começando no Colorado, e é importante analisarmos essa situação com muita atenção.

Não é só a questão do cidadão ter o direito de ser livre pra escolher o que deseja consumir e ser respeitado por isso. Estamos falando de tirar milhões do tráfico ilegal e reverter em impostos, que podem ser investidos em inúmeras melhorias social, desde escolas à hospitais.

Quanto mais se analisa um regime onde a maconha é regulamentada, mais fica evidente que a legalização é a melhor opção em política de drogas.

Fonte: [ Projeto CHARAS ]