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Flores – Aparecimento e Evolução

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Flores – Aparecimento e Evolução
Dra. Alexandra Gobatto[1]

Quem nunca se encantou com a perfeição de formas e cores de uma orquídea, tulipa, dália, agapanto, rosas e violetas? Azáleas…

Flores… das mais sofisticadas e vistosas às mais simples e pequeninas, não importa, sempre enfeitam e alegram qualquer paisagem. Porém, não foi para os olhos humanos que a natureza desenvolveu e aprimorou esta fonte de inspiração.

Na verdade, as primeiras flores (parecidas com as magnólias) surgiram bem antes do aparecimento do homem na Terra e depois do desaparecimento dos dinossauros, os quais nunca, em tempo algum, correram atrás de suas presas em campos floridos… tampouco comeram margaridas…

Segundo uma das teorias evolutivas existentes, a flores surgiram no Cretáceo, há 135 – 65 milhões de anos, em um período em que insetos primitivos, como os besouros, comiam e/ou danificavam os óvulos (gametas femininos) que ficavam expostos nos cones hermafroditos de extintas gimnospermas.

Dessa forma, ocorreram diversas pressões seletivas sobre essas plantas, que levaram ao aparecimento de estrutura com a função de encerrar os gametas no seu interior.

Essa nova estrutura, chamada de ovário, protege os gametas femininos e não impede, no momento propício, que ocorra a fertilização (união dos gametas masculino e feminino).

A partir da fertilização ocorre o desenvolvimento da semente contendo o embrião da futura planta e conseqüente perpertuação da espécie.

A flor é, portanto, o órgão de reprodução vegetal.

Mas e a polinização?

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A polinização, ou seja, a transferência do pólen para a parte feminina era feita pelo vento, o grande disseminador das gimnospermas.

Esse pólen não encontrava barreiras para atingir o óvulo, pois este ficava exposto ao ambiente.

Acontece que a partir do seu encerramento no ovário houve a necessidade da intervenção de outros agentes, que não somente o vento, para efetuarem o transporte de forma efetiva: os agentes polinizadores.

Mas… como chamar a atenção desses agentes? Quem seriam esses polinizadores?

Como vencer as competições entre si e garantir a constância de suas visitas?

Tornava-se necessário, então, oferecer ao animal (insetos inicialmente) recursos energéticos, ou seja, alimento, mantendo assim suas visitas freqüentes e, da mesma forma, criar uma interdependência.

Dessa maneira, a diversidade que observamos nas cores das pétalas (amarelas, azuis, vermelhas, brancas…), o odor (suave, fortemente adocicado ou acre), a produção de grandes quantidades de pólen e néctar (que são os alimentos procurados pelos agentes polinizadores), a forma da flor (radial, tubular, afunilada), o período do dia ou da noite em que ocorre a abertura da flor, constituem um conjunto de atrativos florais e adaptações que são reconhecidos pelos polinizadores, oriundos de um processo de coevolução gradual, ao longo do tempo, entre plantas e animais.

Considerando que muitas espécies vegetais podem apresentar especificidades quanto ao polinizador, tornam-se fascinantes e de grande importância científica as pesquisas no campo da ecologia da polinização, cujo número de trabalhos vem aumentando significativamente nas últimas décadas.

foto: Daise Vasconcelos

foto: Daise Vasconcelos

Eles nos revelam esse notável mundo da reprodução vegetal e nos torna conscientes dessa rede de interdependência que existe e que deve ser preservada, pela própria manutenção da biodiversidade e qualidade de vida de todos nós.

De qualquer maneira, mesmo não sendo nós os responsáveis pelo aparecimento das flores na Terra, seremos seus eternos admiradores, com o compromisso de garantirmos sua conservação em nosso meio e de todas as inter-relações que as acompanham.


Notas & Créditos

[1] Alexandra Gobatto – Bióloga, Mestre e Doutora em Botânica pela Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho”(UNESP, Rio Claro), área de biologia reprodutiva vegetal. Atualmente trabalha no Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, no Núcleo de Educação Ambiental.
E-mail: agobatto@jbrj.gov.br

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A Beleza Secreta da Polinização

A polinização é vital à vida na Terra, mas é também, em grande parte, invisível ao olho humano. O cineasta Louie Schwartzberg mostra-nos, neste incrível vídeo, o mundo intrincado do pólen e dos polinizadores com imagens fantásticas do seu filme Wings of Life (“Asas da Vida”), inspirado no [ desaparecimento de um dos principais polinizadores da natureza, as abelhas ].

httpvh://youtu.be/dtH1dtIMYQY

“Raramente vista a olho nu, esta intersecção entre o mundo animal e o mundo vegetal é um momento verdadeiramente mágico”, admite Schwartzberg.

Dependemos dos polinizadores para mais de um terço das frutas e vegetais que comemos. Deles é um ecossistema frágil, essencial à vida no nosso planeta. Muitos cientistas acreditam que o desaparecimento destes animais é o problema mais grave que a humanidade enfrenta.

Fica a recomendação do autor: aproveite sempre para cheirar as flores e para as deixar preenchê-lo com a beleza e a maravilha da natureza.

Fonte: [ blog O Único Planeta que Temos ]

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Transgênico ameaça um dos alimentos mais consumidos pelos brasileiros

A liberação comercial de uma variedade de feijão geneticamente modificado – conhecido como transgênico – será votada nesta quinta-feira (15) pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

O pedido de liberação foi feito pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O feijão em questão é resistente ao vírus “mosaico dourado” e foi desenvolvido pela Embrapa.

Algumas organizações sociais que acompanham o tema afirmam que essa nova variedade é uma ameaça ao feijão convencional cultivado no Brasil. Para elas, não houve estudos suficientes sobre a ação dos polinizadores (abelha, pássaros, vento, etc.). Além disso, os estudos demonstram falhas na modificação genética das planas testadas. Dos 22 testes feitos, apenas dois resistiram ao vírus.

A assessora jurídica da organização Terra de Direitos, Larissa Parker, lembra que os dados do IBGE mostraram que 70% do feijão consumido pelos brasileiros vêm da agricultura familiar, e que os agricultores controlam o vírus sem a necessidade de alteração genética no grão.

“Esse vírus do mosaico dourado no manejo familiar consegue ser controlado com diversas técnicas que não são as transgênicas.”

Larissa ainda afirma que a Embrapa quer entrar no mercado de transgêncicos para concorrer com as multinacionais Monsanto, DuPont, entre outras.

“A escolha pela tecnologia é uma escolha política do Estado brasileiro. O transgênico tem o incentivo econômico, tem inserção de royalties. Com isso a Embrapa conseguiria ter uma porcentagem no retorno dos royalties dos transgênicos. A Emprapa, que é uma empresa pública, quer entrar na competição com esse tipo de tecnologia para receber as patentes com isso.”

Larissa reforça que a votação do feijão tem sido atropelada e sem a realização de avaliação de riscos a saúde humana.

De São Paulo, da Radioagência NP, Danilo Augusto.

15/09/11

Veja a nota da Terra de Direito.

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