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O gasto de água pelas plantas

Por Ana Maria Primavesi

A falta de água ocorre tanto pela absorção deficiente como pelo gasto excessivo. A quantidade de água gasta por uma planta varia muito segundo sua nutrição, a espécie e a incidência do vento.

O gasto de água é muito maior em plantas mal nutridas. Assim, batatinhas em solo pobre gastam mais do que o dobro de água que em terra adubada, e forrageiras em terra pobre gastam quase o triplo do que em estado bem nutrido.

Verifica-se que o uso econômico de água pela planta ocorre somente quando esta for bem nutrida. Por outro lado deve ser ressaltado que a planta pode ser bem nutrida em solo adubado ao lado da semente ou em solo mais pobre mas com a possibilidade de expansão, explorando um volume grande de solo com suas raízes.

Plantas bem providas de potássio transpiram menos e quando têm à sua disposição quantidades suficientes de manganês, zinco, cobre e boro, o seu plasma torna-se mais viscoso, elas gastam a água de maneira mais econômica. Vale, portanto, a regra:

Planta mal nutrida gasta mais água!

Se a planta é bem ou mal nutrida não depende somente dos elementos maiores (macro nutrientes). A planta é bem nutrida quando tem à sua disposição todos os nutrientes que necessita para formar as substâncias próprias à espécie e à variedade.

Deve-se distinguir claramente entre a capacidade de absorção pela raiz, que é própria à variedade, e à proporção dos elementos nutritivos na planta, que não varia dentro da espécie e até pode ser semelhante em espécies diferentes. Este aspecto ressalta a importância da raiz e suas propriedades diferentes.

Importante é que a metabolização dos elementos nutritivos seja a mais rápida possível e que seu transporte dentro da planta seja garantido.

Assim, a quantidade de micronutrientes que cada planta e variedade necessita encontrar no solo varia. O milho sofre facilmente da deficiência de boro, zinco e cobre, o trigo de manganês e o cobre, o café de boro, zinco e manganês, o fumo de cobre e boro, etc.

Como dito, a nutrição da planta não depende somente de uma adubação completa mas igualmente do espaço de solo que a raiz pode explorar. Assim, um solo “pobre” é capaz de produzir a hileia amazônica com suas árvores frondosas com até 3 metros de diâmetro e parece que a “pobreza” do solo depende não somente do volume de solo explorado, que pode ser restrito por camadas adensadas, mas igualmente do potencial da raiz para mobilizar nutrientes de formas não consideradas como disponíveis nas análises de rotina.

O adensamento do solo, porém, é um impedimento decisivo no abastecimento com água por confinar as raízes a camadas muito superficiais. As condições de desenvolvimento de uma planta vão piorando à medida em que o solo vai se adensando e compactando por causa da deterioração de sua estrutura grumosa.

Assim, o gasto de água pela planta depende:

1. Da adaptação ao ambiente em que cresce
2. Da umidade relativa do ar que será mais baixa onde houver maior incidência de vento
3. Da frequência do vento. Plantas expostas ao vento transpiram mais água mas produzem menos
4. Da viscosidade do plasma celular, que aumenta com um metabolismo ativo
5. Da intensidade de transpiração, que diminui em presença de micronutrientes
6. Da possibilidade de manter os estômatos abertos durante o dia para garantir a continuidade da fotossíntese
7. Da possibilidade de fechar os estômatos quando as condições se tornarem adversas (calor e uma brisa de vento constante) a fim de evitar perdas excessivas de umidade. E para isso precisa-se de potássio.

O manejo da água no solo depende, pois, essencialmente, da perícia do agricultor como o manejo do dinheiro depende da perícia do administrador.
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Fonte: Ana Maria Primavesi

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A importância das coisas mais orgânicas

Noutro dia comentávamos no grupo de estudos sobre a origem dos “inhames” que plantei e fiquei meio ressabiado; afinal, que problemas poderiam haver? Aí hoje recebi este vídeo…

Pesquisando na Internet, encontrei este trecho, falando sobre o Chlorpropham:

“Na verdade, o composto citado [no vídeo]- chlorpropham ou “bud nip” – é um defensivo agrícola de baixa toxicidade para o homem, utilizado justamente para impedir o brotamento de tubérculos e raízes, como a batata-doce (ou seja, a menina nada mais do que comprovou que o insumo realmente funciona). Isso porque quando a raiz germina, ocorre a produção de solanina, um composto natural de sabor amargo que protege a planta em crescimento de predadores e parasitas, essa sim perigosa a saúde humana.

Não bastasse a alteração sensorial do alimento, a substância é tóxica e sua ingestão pode causar sintomas como alterações gastrointestinais (diarreia, cólica, vômitos) e neurológicas (dor de cabeça, tontura, alucinações), podendo até mesmo levar à morte.

Então gente: quando a menina perguntar qual batata-doce você escolheria comer, você definitivamente não vai querer a brotada.”

http://alimentandoadiscussao.com/2014/04/02/alimentos-organicos-sao-mais-saudaveis/

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Sobre sementes e raízes

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Álih, o guia, e Jávier, seu jovem aprendiz, estão assentados sobre a montanha conversando enquanto sentem o vento e observam a vila e as poucas pessoas que caminham lá em baixo.

“O vento é como a vida”, diz o velho. “Ele traz sementes boas e sementes ruins”.

Jávier tira os olhos do horizonte e fita o guia. O velho respira fundo.

“Algumas coisas não escolhemos plantar. O vento traz, elas caem no terreno de nossas vidas e, caso sejam ruins, podemos impedir que elas criem raízes em nós. É como aquele viajante que procura pouso no início da noite: podemos impedir que ele fique, não que ele venha”. O rapaz continua observando o guia.

“As sementes são as influências que a vida nos oferece. Não podemos viver sem que sejamos marcados por elas. As boas devem ser regadas e alimentadas para que cresçam e produzam os seus frutos. Já as sementes ruins devem ser arrancadas o mais rápido possível, pois a cada dia que permanecem em nós, se torna mais difícil nos livrar delas”.

O rapaz entende o recado. Hoje impedirá que todas as más influências criem raízes em seu coração.

Fonte: [ DM ]

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Biotecnologia pode por fim aos fertilizantes na agricultura

A técnica batizada de N-Fix utiliza bactérias fixadoras de nitrogênio nas células das raízes das plantas. Esses micro-organismos são naturais e já estão presentes na maioria das leguminosas, como ervilha, feijão e lentilha.

Os fertilizantes são considerados poluidores do meio ambiente pelos ambientalistas Foto:  Archivo de Proyectos

Os fertilizantes são considerados poluidores do meio ambiente pelos ambientalistas
Foto: Archivo de Proyectos

Os fertilizantes são considerados bons para as culturas humanas, uma vez que fornecem condições para o crescimento das plantas. No entanto, estão longe de serem benignos para o meio ambiente, devido à poluição causada pelo nitrogênio, como também por nitratos, óxidos de nitrogênio e pela amônia.

Ao pensar em acabar com esse problema, o pesquisador Edward Cocking, da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, desenvolveu plantas que sintetizam o nitrogênio diretamente do ar atmosférico, dispensando o uso de fertilizantes na agricultura.

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Fungos introduzidos em raízes de mudas de árvores podem acelerar reflorestação

Estudo está a ser realizado na Escola Superior de Biotecnologia (Universidade Católica, Porto)

A introdução de fungos tem sido feita em pinheiros-bravos

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A introdução de fungos nas árvores a plantar depois de um incêndio pode ser uma das soluções para acelerar a reflorestação. Esta é uma das conclusões prévias do estudo que está a ser desenvolvido por investigadores na área da Biotecnologia Ambiental da Escola Superior de Biotecnologia, da Universidade Católica (Porto).

 

Tendo como objectivo perceber de que modo é possível acelerar a reflorestação em solos queimados, o estudo, liderado por Paula Castro, envolve a aplicação de determinados fungos seleccionados (fungos ectomicorrízicos) como facilitadores deste processo.

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Plantas de mesma espécie se reconhecem e competem entre si

Por Antonio Carlos Quinto – acquinto@usp.br

Raízes de ervilha crescem de forma diferente diante da mesma planta

Experimentos realizados com ervilhas mostraram que plantas da mesma espécie se reconhecem entre si e reconhecem a outras. “A ciência já demonstrou que elas podem reconhecer, inclusive, outras espécies e até mesmo clones”, conta a bióloga Francynês da Conceição Oliveira Macedo. No laboratório de Estresse e Neurofisiologia de Plantas do Departamento de Ciências Biológicas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, a pesquisadora constatou também que o crescimento das raízes das plantas pode ser influenciado pela presença de raízes vizinhas.

O estudo de Francynês é pioneiro no Brasil e inaugura uma linha de pesquisa no Departamento de Ciências Biológicas da Esalq. A pesquisa Avaliação do comportamento competitivo de raízes de ervilha (Pisum sativum ) cv. Mikado teve a orientação do professor Ricardo Ferraz de Oliveira.

O principal objetivo foi verificar se raízes de ervilha apresentam crescimento diferenciado quando na presença de raízes da mesma planta, e de raízes de outras plantas, para averiguar a capacidade de auto/não-auto reconhecimento. Ao todo, foram 29 dias de observações de plântulas (embriões vegetais já desenvolvidos) de ervilhas mantidas em câmaras de crescimento.

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Árvores criam raízes em excesso para usá-las como armas, diz ecólogo

SINDYA N. BHANOO
DO “THE NEW YORK TIMES”

Cientistas afirmam que raízes extras de árvores servem para dificultar crescimento de outras árvores ao redor


As árvores possuem muito mais raízes do que precisam para capturar nutrientes do solo, diz Ray Dybzinski, ecólogo da Universidade de Princeton (EUA). Mas para que servem essas raízes extras?

Usando um software para prever os padrões de crescimento em florestas ao longo do tempo, Dybzinski e seus colegas afirmam que as raízes superabundantes funcionam como armas para evitar o crescimento de outras árvores.

Criar raízes exige energia, e a abordagem mais “eficiente” seria cada árvore ter apenas a quantidade suficiente para capturar a água e os nutrientes de que precisa.

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