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O feijão transgênico da Embrapa é seguro, dizem professores da USP

Artigo de Francisco G. Nóbrega e Maria Lucia Zaidan Dagli enviado ao JC Email pelos autores.

Um dos temas importantes da oposição às plantas geneticamente modificadas (PGMs) é a questão da pureza genética. Genes de um organismo não poderiam atuar em outros, algo que não seria “natural”. Desconhece-se ou ignora-se propositalmente a crescente literatura que mostra a transferência horizontal de genes entre bactérias, fungos, vermes, plantas e mesmo entre humanos e bactérias e até DNA de Trypanosoma passando para células do coração humano. Um gene de peixe transfere ao organismo receptor apenas sua função catalítica ou estrutural definida e não a característica “peixe”.

A União Européia (UE) acabou de autorizar o uso de uma proteína de peixe de águas geladas, produzida em bactéria, para uso em sorvetes de baixo conteúdo calórico. A rápida aprovação causou estranheza aos opositores. A explicação foi a inexistência de produto análogo na UE, demonstrando como existe boa articulação entre os ativistas e os interesses de empresas européias. Não há problema de segurança, como o próprio órgão europeu encarregado da liberação tem declarado repetidamente. Idem para as grandes academias científicas americanas e européias. Será que ativistas de ONGs ou cientistas de universidade a elas ligados, sabem mais sobre a segurança das PGMs?

Só hipóteses conspiratórias sustentam os argumentos dos opositores. Essas hipóteses continuam fascinando pessoas: a ida à Lua foi fabricada em Hollywood, o ataque de 11 de setembro às torres gêmeas em Nova Iorque foi orquestrada pelo governo Bush, assim como outras teorias esdrúxulas que contam com sociedades ativas e se dedicam à extraterrestres, teoria da terra plana, fusão nuclear à frio, nazismo e teorias de supremacia racial.

Há um tipo de ambientalismo equivocado e romântico-regressivo que reforça o mito da agricultura “natural” (é fácil demonstrar que as plantas que nos alimentam foram geneticamente selecionadas e modificadas extensamente ao longo de milênios, incluindo o presente) e cria um tabu: é um crime contra a ordem natural do universo mover genes de um organismo para outro. Os tabus, como sabemos, são instrumentos de dominação sacerdotal comuns em sociedades primitivas. Creio que devemos ser tolerantes para com as crenças e tabus alheios. O que não podemos admitir é que esses tabus sejam impostos aos não crentes e venham causar danos e sofrimento aos demais.

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Nota de repúdio da UEMA

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO
CENTRO DE ESTUDOS SUPERIORES DE IMPERATRIZ

A UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO, através do Centro de Estudos Superiores de Imperatriz, vem manifestar repúdio e indignação pelo conteúdo, forma e método com que foram tratados pela Rede Globo no quadro “É bom pra quê?” veiculado na Revista Eletrônica Semanal Fantástico, exibida no dia 12 de setembro de 2010, a cidade e a população de Imperatriz, o professor Antonio Augusto Brandão Frazão, a Universidade Estadual do Maranhão, o Centro de Difusão Tecnológica – CDT, projeto fruto de parceria entre Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária – INFRAERO, UEMA e outras Instituições públicas e particulares do município.

Os saberes populares constituem um patrimônio cultural fundamental para entendermos as relações das sociedades com a natureza ao longo das gerações, assim como seus legados. O conhecimento sobre plantas e seus usos nas mais diversas manifestações é assunto consolidado, inclusive constituindo escopo de uma área da Botânica, a Etnobotânica.

A Fitoterapia consolida-se mundo afora com o rigor imprescindível para a sua construção científica. A própria matéria veiculada é forçada a reconhecer tal afirmação, ao mencionar que de cada dois medicamentos quimioterápicos utilizados nos tratamentos de tumores cancerígenos, um foi descoberto no Reino das Plantas.

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Direito de resposta do Prof. Frazão

Resposta do Prof. Frazão

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ALANAC rebate declarações de Drauzio Varella sobre fitoterápicos

Os fitoterápicos e plantas medicinais são hoje as classes de produtos que possuem maior potencialidade de crescimento no Brasil devido a sua biodiversidade que, associada a uma rica diversidade étnica e cultural que detém um valioso conhecimento tradicional associado ao uso de plantas medicinais, tem o potencial necessário para desenvolvimento de pesquisas com resultados em tecnologias e terapêuticas apropriadas.

O uso desses medicamentos pelo mundo é muito antigo e está cada vez maior, e como exemplo temos a Alemanha, cujo mercado de fitoterápicos é enorme. Cerca de 60% dos médicos alemães prescrevem fitoterápicos à população, produtos estes registrados no EMEA, órgão regulador europeu que tem as exigências mais rigorosas para o registro, semelhantes às brasileiras.

Sobre esse assunto, o coordenador técnico da ALANAC, Douglas Duarte é categórico: “Como podemos criticar a política alemã de medicamentos, uma vez que o poder aquisitivo da grande maioria da população é muito superior à dos brasileiros?”. Segundo ele, não existe esta imagem de que a fitoterapia é para pobres. É apenas uma terapia alternativa à alopatia sintética.

A questão do preconceito com relação aos fitoterápicos – por falta de informação, mas principalmente por má informação – ainda é um fator limitante para a utilização maciça pela população brasileira, pois a classe médica ainda tem algumas restrições ao uso desses medicamentos devido à complexidade de atuação destes produtos quando administrados.

Dizemos isso, fazendo referência à matéria “Ervas medicinais: os conselhos de Drauzio Varella” (http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI162899-15230,00.html), publicada na revista época e também, na série “É bom para quê?”, que estréia neste domingo, dia 29 de agosto, no Fantástico, que a Rede Globo exibe às 20h50, e que terá quatro episódios, gostaríamos de deixar registrada nossa discordância com relação às colocações do médico sobre os medicamentos fitoterápicos.

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