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A Lavoura

por  Ana Maria Primavesi

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A Lavoura

A economia brasileira é alavancada e sustentada pela atividade agrícola. O país é visto como celeiro de alimentos para o mundo. A atividade agrícola iniciou o salto de desenvolvimento com a revolução verde (com máquinas ampliando a produtividade humana, adubos, defensivos, irrigação, sementes responsivas ao nitrogênio), seguido pela agricultura conservacionista (plantio direto na palha), e atualmente a agricultura digital (de precisão), em que as máquinas são dirigidas por computadores, orientados por satélites. E certamente existe a certificação de boas práticas de manejo e a rastreabilidade para segurança do consumidor.

Os problemas ambientais como plantas daninhas, pragas, estresse hídrico, estresse térmico, estresse salino e diversos outros estresses, recebem o aporte de tecnologias desenvolvidas pela engenharia genética, que garante ser solução de ponta para esses problemas.

Porém, as fábricas de proteínas, carboidratos, fibras e energia, as plantas, continuam tendo raízes. Raízes que representam figurativamente os intestinos (por onde absorvem água e nutrientes) e, junto com o colo, que seria os pulmões (absorvem oxigênio para a respiração) das plantas. O estômago seria constituído pela rizosfera, onde nutrientes são disponibilizados, sendo afetados pelo pH (acidez). E este trato digestivo e pulmonar das plantas, necessita de um substrato úmido, aerado, fresco, com um limite de salinidade e de acidez. Ou seja, um solo agregado, permeável, vivo (com intensa atividade biológica).

Para que isso ocorra necessita de tripla proteção permanente (dossel vegetal; serapilheira ou restos vegetais ou cobertura morta ou mulch; e trama radicular abundante na superfície e em profundidade), contra insolação excessiva, impacto das gotas de chuva tropical, e com bom teor de matéria orgânica, que é fonte de energia para essa vida do solo, e também atua como se fosse a fibra para dar funcionalidade ao trato digestivo das plantas, às raízes e à rizosfera.

Sistematicamente, com cada avanço tecnológico, o solo vem sendo relegado ou mesmo eliminado do planejamento de gestão da propriedade. Na revolução verde proibia‐se o uso de adubos orgânicos. E aconselhava‐se que os restos vegetais deveriam ser incorporados profundamente ou fornecidos como alimento ao gado bovino, ou mesmo sendo utilizado como fonte de energia industrial ou simplesmente queimados.

Veio o sistema plantio direto na palha. Com esse sistema foram eliminadas gradativamente as práticas mecânicas de conservação de solo e de água. E conforme a região, e com a possibilidade de se realizar mais de um cultivo por ano, foi desaparecendo o cuidado pela produção de palhada para proteger osolo, e alimentar a vida do solo.

Atualmente não se diz mais plantio direto na palha, mas simplesmente plantio direto, onde o que importa são as máquinas, os herbicidas e os cultivares resistentes aos herbicidas. Como consequência o solo, sem retorno adequado de material orgânico e sem sua conservação adequada, degrada, compacta, encrosta, erode, esquenta e resseca, amplia os estresses hídricos e térmicos para os cultivos, e aumenta a incidência de pragas e de patogenias. O produtor ou empresário rural vê a solução no uso dos agroquímicos, na engenharia genética, e na robótica teleguiada.

E o solo?

Antes, abandonava‐se uma área de solo degradado, improdutivo, por uma nova área de cultivo. Mas estas novas áreas, sob mata nativa, também estão acabando, por conta da degradação, da urbanização, da mineração a céu aberto, da submersão por lagos artificiais de hidrelétricas. Soluções modernas aparecem. De Nova Iorque vêm notícias de fazendas hidropônicas em edifícios (vertical farm). Da Holanda vêm notícias de fazendas hidropônicas flutuantes (floating farms). Não se precisa mais de solo. Será? Os solos bons e férteis servem para serem urbanizados.

Acredito que neste ponto seria interessante resgatar a lembrança sobre a verdadeira necessidade e função do solo. Muitos chamam‐no pejorativamente de pó (na seca) e barro (nas chuvas), que tudo emporcalha.

Com o advento da ideia da agricultura sustentável, o solo de referência geralmente citado é o da mata virgem, do ambiente natural clímax. Mas acredito que o referencial mais lógico e impactante seria o do ambiente natural primário, em que predomina a rocha exposta. Aí não tem solo. Nem água residente, nem lençol freático. As amplitudes térmicas e hídricas são extremas. Tem água somente quando chove. As chuvas são torrenciais. Os ventos e brisas que levam umidade são mais intensos. É um ambiente inóspito para a vida superior e a produção de biomassa. Não ocorrem os chamados serviços ecossistêmicos, ou seja, não há estruturas nem processos naturais para garantir a produção de biomassa.

A estratégia inicial da natureza para transformar esse ambiente natural primário em natural clímax foi o de reter a água das chuvas. Para isso, foi preciso primeiramente produzir algo como uma esponja, construir o que chamamos de solo permeável e com capacidade de armazenar água, a partir da degradação das rochas. Para tanto designou os líquens (algas+fungos) a iniciarem os trabalhos de desmonte das rochas. Os líquens utilizavam o artifício da cor clara (albedo alto) para refletir a radiação solar e evitar o aquecimento exagerado do substrato. Os líquens mortos foram a primeira matéria orgânica visível na formação dos solos, e de sua proteção. Era preciso proteger a superfície.

Conforme a camada de solo ia sendo formada, aumentava a água residente. Foi estabelecido o lençol freático. Havia água para as plantas superiores fora do período das chuvas. A função primeira do solo é captar e armazenar água das chuvas de forma disponível. É a água residente. Plantas pioneiras de diversas espécies foram se estabelecendo. E conforme o solo ia aprofundando, e sendo colonizado por plantas diversificadas, foi diversificando a vida associada às plantas e a vida do solo. É que as exsudações radiculares (como de açúcares e aminoácidos) e os restos vegetais serviam de fonte de energia para estes seres de vida livre, e também para os simbióticos. Mais água era captada e armazenada. Esse novo ambiente emergente, num desenvolvimento construtivo, sintrópico, permitia o aparecimento de novos seres, novas espécies. As cadeias alimentares formavam teias alimentares, aumentando a resiliência ou estabilidade da vida nos ecossistemas.

Os organismos do solo servem para dar continuidade aos processos químicos de construção da estrutura agregada, grumosa, do solo, que permite a circulação fácil de água e de ar (oxigênio, produzido pelas partes verdes dos vegetais durante a fotossíntese), bem como o desenvolvimento das raízes. E ainda servem para auxiliar na nutrição mineral e orgânica das plantas. Mas para isso precisam de material orgânico na superfície do solo, a serapilheira, em condições aeróbicas.

Sim, material orgânico bruto, não estabilizado biologicamente, na superfície do solo, em contato com o solo, e não enterrado. Este material poderia ser misturado com a terra superficial, até no máximo de 5 cm. Os organismos do solo degradam o material orgânico, sendo que nas etapas iniciais bactérias celulolíticas produzem gomas que auxiliam na colagem de partículas minerais floculadas quimicamente, e posteriormente fungos que vão atrás da energia dessa goma bacteriana enlaçam esses agregados, estabilizando‐os contra a ação dispersante da água. Mas esse processo, realizado por material orgânico bruto, não compostado, necessita ser renovado continuamente ao longo do ano.

Por isso da importância de manter o solo constantemente vegetado, preferencialmente de forma diversificada, com suas atividades radiculares e produção de restos vegetais para proteger a superfície do solo. A diversificação é necessária para diversificar a atividade biológica e assim dar estabilidade à teia alimentar e garantir a porosidade do solo. Por isso se diz que solo não vegetado deixa de ter a função primeira de solo. Volta às condições impermeáveis de uma rocha. Perde a capacidade de captar e armazenar água.

Neste desenvolvimento construtivo, verifica‐se o aparecimento de diferentes estruturas e processos, ou serviços ecossistêmicos vitais para a vida superior e a capacidade de produção de biomassa ou culturas com sua vida associada, como bactérias, fungos, insetos como abelhas, borboletas, besouros, formigas, bem como também pássaros, mamíferos e outros. A natureza finaliza esse processo construtivo de ecossistemas naturais clímax com árvores, tanto faz se o ambiente é quente ou frio. As árvores esquentam ambientes frios (por conta da cor escura das folhas) e esfriam ambientes quentes (por conta da transpiração), além de atuarem na umidificação do ar e na atenuação das temperaturas e amplitudes térmicas, tornando o ambiente mais hospitaleiro para a vida superior.

Assim, quando se domestica o ecossistema natural clímax para transformá‐lo em agroecossistema, deveria ser considerada, planejada, a manutenção da infraestrutura natural mínima para captar e armazenar água das chuvas, manter um ambiente saudável para o trato digestivo das plantas, manter estável a estrutura estabilizadora do microclima favorável à produção vegetal e ao funcionamento dos insumos empregados. Isso seria considerar princípios ecológicos de boa produção. Pertence ao rol das boas práticas de manejo agrícola. Garantindo a produção sustentável, do ponto de vista ambiental.

Quando se desconsidera esses aspectos biológicos, priorizando os aspectos químicos e talvez também os físicos do solo (mas não os biofísicos), pratica‐se uma agricultura mineradora, uma regressão ecológica, de volta às características ambientais primárias inóspitas à produção, por mais tecnologia que se queira aplicar para substituir os serviços ecossistêmicos essenciais. Seria como o de um ambiente urbanizado, sem áreas verdes, impermeabilizado, quente e seco, inóspito, causador de alergias, viroses e muitas doenças. Lembram-se dos povos que sumiram da história? Dos sumérios, egípcios, etruscos, gregos, romanos, incas, astecas, mongóis e hunos? Foram arrasados porque se esqueceram dos campos. Cidades vivem do campo. É a terra que as mantém.

Assim, manter o solo protegido superficialmente com material orgânico não é uma necessidade somente para a agricultura orgânica, mas vale mais ainda para a agricultura industrial, digital. Ainda mais sabendo‐se que a matéria orgânica do solo, em nossas condições tropicais, é responsável por 60 a 80% da capacidade de troca catiônica do solo, ou seja, consegue estocar os adubos aplicados de forma disponível para as plantas, reduzindo os prejuízos do produtor rural. Porque não adianta colocar adubo em um solo parcialmente morto, que a planta não vai conseguir usar, pois é exatamente essa microvida, alimentada pela matéria orgânica, que mobiliza os nutrientes necessários à cultura.

Visto isso, parece lógico que deveremos praticar uma agricultura conservacionista, de preferência agrossilvipastoril, em que o plantio direto volte a ser na palha, que aumenta a rugosidade do terreno, e que a quantidade e qualidade da palha seja o astro principal do sistema de produção. O estabelecimento de curvas de nível e de terraços de base larga também são necessários em terrenos mais inclinados, pois aí a palha segura muito bem o solo mas não toda a água, que é retida por rugosidades mais fortes do terreno. Deve‐se lembrar, solo sem cobertura vegetal permanente e diversificada (incluindo as árvores estrategicamente alocadas para interceptar a água das chuvas cada vem mais intensas), deixa de ter a função primeira, que é a de captar e armazenar água, o mineral mais importante para o sucesso e a sustentabilidade de nossa agricultura, a saúde de nosso povo. Solo cuidado com matéria orgânica fornece alimento nutricional funcional, conserva os solos propiciando seu cultivo ilimitado e a continuidade da vida no planeta.

Fonte: [ Ana Maria Primavesi ]

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O que é DRENAGEM?

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O ciclo da água no planeta depende fundamentalmente das chuvas, que caem sobre os continentes, ilhas e oceanos.

A água que cai pode ser acumulada (em poças, lagoas, represas, etc.), pode infiltrar no solo, ou seguir seu curso, por ação da gravidade (terreno abaixo) para lagos e mares. No último caso, a porção superior fica mais seca, de modo que podemos dizer que tal porção foi drenada, na medida em que a água escoou.

Os solos possuem uma porosidade natural, em diversas concentrações, chamadas de permeabilidade. Algumas permitem a infiltração das águas no solo, outras não; destas onde surgem poças / acúmulo de água.

Drenagem é o ato de escoar as águas de terrenos encharcados, por meio de tubos, túneis, canais, valas e fossos sendo possível recorrer a motores como apoio ao escoamento. Em vasos e pequenos cultivos, é trabalhar a permeabilidade do substrato / solo, permitindo uma rápida infiltração e escoamento, ou retenção utilizando materiais porosos que absorvem e armazenam água.

É importante estabelecer a distinção entre dois tipos diferentes de drenagem:

– superficia: escoamento às águas que se acumulam na superfície do terreno;
– subterrânea: objectivo é retirar o excesso de água que existe no interior do solo (baixar o nível freático).

A drenagem de superfície tem por finalidade remover o excesso de água da superfície do solo, evitando, assim problemas de arejamento e conseqüente empoçamento da água na superfície do terreno.

Já na drenagem subterrânea pretende-se baixar o nível freático, fazendo um escoamento para canais e reservatórios, evitando o alagamento e perda do cultivo. Os canais podem ser naturais (córregos) ou artificiais de concreto simples, armado ou de gabião.

As causas de um nível freático elevado podem ser, além de uma camada impermeável mais ou menos superficial (que impede a drenagem natural), o elevado nível de um rio ou ribeiro, chuvas ou mesmo regas exageradas.

Os sistemas de drenagem, além dos condutos forçados e dos condutos livres, podem ser urbanos ou rurais e visam escoar as águas de chuvas e evitar enchentes.

Para aumentar a permeabilidade de substratos podemos utilizar areia de rio e outros materiais como pedras e cascas de árvores trituradas, misturados à terra vegetal, permitindo o escoamento e aumentando a aeração para as raízes.

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Fontes consultadas:

http://www.portaleducacao.com.br/biologia/artigos/13481/drenagem-de-solo-para-paisagismo
http://www.tecnicasderegadio.info/index.php/drenagem/cap20-drenagem
http://wwwo.metalica.com.br/drenagem-na-construcao-civil

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Dirt! O Filme – legendado

O solo é uma herança de bilhões de anos que recebemos do Planeta. Na sua fina camada superior é onde podemos plantar, onde estão os microrganismos e elementos responsáveis pela formação de toda vida, de todos os animais, inclusive nós.

Povos crescem e desaparecem da face da Terra de acordo como tratam seu solo. Nos últimos 100 anos 1/3 das terras férteis da terra desapareceram.

O modo de produção chamado “agronegócio” está empobrecendo em rápida velocidade a terra por onde passa. A Agricultura Extensiva, além de contaminar a terra, mata seus microrganismos transformando muitas fazendas em desertos por todo o mundo.

Populações inteiras que transformaram suas terras em deserto estão sofrendo com a fome numa luta desesperada por comida.

O documentário nos oferece belas e inspiradoras soluções comunitárias para a recuperação do solo e da biodiversidade.

Participações especiais de Sebastião Salgado e Vandana Chiva.

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Plantas carnívoras da Suécia estão virando vegetarianas

por Bruno Calixto

Foto: Petr Dlouhý / Wikimedia Commons

Um novo estudo, publicado na edição deste mês da revista New Phytologist, chegou a uma conclusão impressionante: uma espécie de planta carnívora da Suécia está virando vegetariana.

Ela não está preocupada com os insetos que come, nem buscando uma dieta mais saudável. A mudança de comportamento é resultado de um ambiente mais poluído.

Os pesquisadores analisaram como que a Drosera rotundifolia, uma planta carnívora comum em áreas pantanosas do norte da Europa, se alimenta.

Parte dos nutrientes a planta retira do solo, mas uma outra parte vem de insetos. O estudo, entretanto, percebeu que essas plantas estão perdendo o interesse nos insetos.

A culpa é do excesso de nitrogênio no solo.

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Erosão do solo – experiência

Experiência sobre erosão

Erosão do solo.

Com essa atividade é possível observar como a erosão acontece, e quais seus riscos.

Para desenvolver essa atividade é necessário garrafa plástica (PET), caixa, bacia, regador, água, terra, e terra gramada.

A professora irá explicar o que é a erosão do solo, e seguida dividir a sala em três grupos, e colocar diante deles o material, pedir para que um grupo faça e explique à erosão do solo na terra, o outro grupo a erosão no solo com vegetação (grama), e o outro grupo a erosão do solo com material orgânico.

Fonte: [ Educar brincando ]

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Bokashi caseiro

Bokashi

Como produzir seu próprio bokashi em casa

Existem muitas receitas diferentes de Bokashi em livros sobre agricultura orgânica/natural e na Internet, essa é só mais uma, com o diferencial de ser bem simples e com possibilidade de ser feita em qualquer casa ou apartamento. Divirtam-se!

1 – Um pouco de história

1.1 – O significado da palavra

A palavra bokashi, de origem japonesa, significa borrar, diluir. Como em uma maquiagem borrada. Posteriormente foi usada no sentido de diluir material orgânico com farelos fermentados, com o solo, para não serem usados puros e assim não causarem danos à cultura. Porém podendo ser usados diretamente na adubação de cobertura.

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