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Proteína extraída da árvore inibe crescimento e migração de tumores

Dose de quimioterápico necessária para matar célula cancerígena foi cem vezes menor quando associada a proteína

Enterolobium contortisiliquum, nome científico da orelha-de-macaco * Foto: Carol Sencebe / Wikimedia Commons

Enterolobium contortisiliquum, nome científico da orelha-de-macaco * Foto: Carol Sencebe / Wikimedia Commons

Uma proteína extraída da semente de árvores da espécie Enterolobium contortisiliquum – popularmente conhecida como tamboril ou orelha-de-macaco – demonstrou em ensaios pré-clínicos potente ação antitumoral, anti-inflamatória, anticoagulante e antitrombótica.

Os testes in vitro e em animais foram realizados no âmbito de um Projeto Temático apoiado pela FAPESP e coordenado por Maria Luiza Vilela Oliva, professora na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Os resultados foram apresentados durante a 28ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), realizada em Caxambu (MG) entre os dias 21 e 24 de agosto.

Nomeada de EcTI (Enterolobium contortisiliquum inibidor de tripsina, na sigla em inglês), a proteína foi isolada por Oliva ainda durante seu doutorado, no fim dos anos 1980.

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Mosquito da dengue sobrevive comendo somente planta

por Anahi Zurutuza

Foto: [ Portal do Seridó ]

Foto: [ Portal do Seridó ]

Ter a planta conhecida como Coroa de Cristo [Euphorbia milii] em casa significa risco à saúde dos moradores e da vizinhança. O arbusto espinhoso, muito usado em residências como cerca viva, serve de alimento para o mosquito transmissor da dengue, que pode passar a vida toda alimentando-se apenas do néctar contido nas flores da planta.

A descoberta é do biólogo e pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Antônio Pancrácio de Souza e da orientanda dele no curso de Biologia da universidade, Nathalia Cavichiolli de Oliveira, que há 12 meses estudam os hábitos alimentares do Aedes aegypti.

Segundo o professor, que é doutor em Entomologia (ciência que estuda os insetos), já se sabe que o Aedes aegypti macho não se alimenta de sangue humano, mas que a fêmea depende do sangue para a maturação os ovos antes de botar e é no momento da picada que ela transmite o vírus da dengue para as pessoas. Contudo, de acordo com Pancrácio, tanto o mosquito macho, quando a fêmea são capazes de completar o ciclo de vida, que dura em média 30 dias, alimentando-se apenas das flores da Coroa de Cristo.

O pesquisador explica que a planta, portanto, “contribui para a manutenção da população do mosquito transmissor da dengue”. Segundo Pancrácio, não se pode dizer que a Coroa de Cristo necessariamente funciona como atrativo para o inseto, mas a fêmea pode manter-se viva e nutrida nas proximidades do arbusto até encontrar o humano para alimentar-se do sangue, amadurecer os ovos e, então, procriar. “Ter esta planta em casa facilita a sobrevivência da população de Aedes aegypti e mantém o mosquito perto de quem ele não deveria estar”.

Motivação

Antônio Pancrácio afirma que há alguns anos pesquisa plantas que serviriam como inseticida contra o mosquito e que teve a ideia de estudar os hábitos alimentares do inseto para poder contribuir com mais informações sobre o transmissor da dengue para que autoridades em Saúde Pública tenha subsídios para combater o vetor. “Já se sabe que as orquídeas e as bromélias são planta propícias para a sobrevivência dos ovos e larvas do mosquito da dengue[*], mas nosso objetivo era estudar o adulto. E a nossa descoberta só mostrou que alguns pontos da ecologia e da biologia básica do inseto ainda precisam ser estudadas”.

Segundo o biólogo, o primeiro passo da pesquisa foi perguntar em diversas floriculturas de Campo Grande quais eram as plantas mais vendidas para uso em residências. Foram elencadas sete plantas. Os mosquitos foram mantidos confinados com cada planta e apenas os que estavam alimentando-se do néctar da Coroa de Cristo sobreviveram.

Última fase

A pesquisa caminha para a reta final. Segundo o professor, ainda este semestre serão feitos mais estudos que servirão como prova definitiva de que o Aedes aegypti pode alimentar-se apenas da Coroa de Cristo. “Vamos verificar se os açucares existentes no néctar da planta estão no organismo do mosquito. Se estiverem, ficará provado que ele realmente estava alimentando-se destas flores”.

De um modo geral, Pancrário afirma que ficou constatado que as plantas ornamentais presentes em nossos quintais podem favorecer a sobrevivência dos mosquitos adultos e isso deve servir de alerta para a população. “Estamos padronizando os experimentos nesta planta, de modo a servir como modelo para testes com outras espécies”, justifica.

No final do ano, o biólogo pretende publicar artigo científico para divulgar a descoberta. A pesquisa desenvolvida pelo professor e a aluna foi financiada pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado do Mato Grosso do Sul (Fundect).

Fonte: [ Correio do Estado ]
imagem: [ Portal do Seridó ]


[*] Bromélias não constituem focos preferenciais do mosquito do dengue

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Boato do feijão raticida

boato_feijao_raticida

Dr. Constancio de Carvalho Neto
Médico Veterinário Sanitarista
Especialista em controle de pragas

Provavelmente devido minha especialidade profissional, controle de pragas e vetores, tenho sido perguntado com frequência crescente (e preocupante) sobre o “inofensivo“ uso de feijão cru como raticida.

Fatos e boatos circulam com velocidade espantosa através da Internet e esse possível “novo” uso para o humilde feijão nosso de cada dia, me tem sido inquirido quase que diariamente a partir dos mais diversos pontos de nosso país.

Feijão cru tem efeito raticida? Poderia ser usado inofensivamente para eliminar roedores sem qualquer risco para humanos ou outros animais? É verdade ou é mentira? Respondo:

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