Aprovada MP que regulamenta plantio de transgênicos

O Plenário do Senado Federal aprovou nesta terça-feira (27) o projeto de lei de conversão (PLV 29/06), proveniente da Medida Provisória 29/06, que dispõe sobre o plantio de organismos geneticamente modificados (OGMs, também chamados transgênicos) em unidades de conservação.

O projeto veda a pesquisa e o cultivo de transgênicos nas terras indígenas e áreas de unidades de conservação, exceto nas Áreas de Proteção Ambiental (APAs). Vários senadores votaram contra o projeto, entre eles Sibá Machado (PT-AC), Aloizio Mercadante (PT-SP), José Nery (PSOL-PA) e Serys Slhessarenko (PT-MT), o que expôs uma divisão na base de apoio do governo federal. A matéria segue para sanção presidencial.

Além de impedir a pesquisa e o cultivo de transgênicos em terras indígenas e nas áreas de unidades de conservação, com exceção das APAs, a medida provisória foi editada com a finalidade de estabelecer regras para o plantio dos organismos geneticamente modificados nas áreas que circundam as unidades de conservação, até que seja fixada sua zona de amortecimento e aprovado o seu respectivo Plano de Manejo.

A proposição modifica a lei que trata dos organismos geneticamente modificados (Lei 11.105/05), para permitir que as decisões da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) sejam tomadas pelo voto favorável da maioria absoluta (14 votos) dos seus membros (são 27 membros). Atualmente são necessários os votos de dois terços dos integrantes da CTNBio. Esse quórum é necessário, por exemplo, na análise técnica e na aprovação dos pedidos para plantio de transgênicos.

O relator-revisor da matéria, senador Delcídio Amaral (PT-MS), ofereceu parecer favorável à aprovação do projeto de lei de conversão e das emendas apresentadas pelos deputados federais. Delcídio explicou que o projeto também autoriza o beneficiamento e a comercialização das fibras de algodoeiro geneticamente modificados colhidos em 2006.

– Os caroços de algodão oriundos do beneficiamento da colheita. Quando não utilizados para a produção de biodiesel, deverão ser destruídos nos termos de parecer técnico da CTNBio. A utilização dos caroços para produção de biodiesel deverá ser precedida de informação ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, ocasião em que o detentor do produto deverá informar a quantidade que será utilizada e o local de processamento. A biomassa, resultante da produção de biodiesel, deverá ser destruída – esclareceu Delcídio.

O relator disse que, apesar de a Lei nº11.105 estabelecer normas de segurança e mecanismos de fiscalização sobre o cultivo, a produção, a manipulação, o transporte, a importação e a exportação, entre outras normas, dos transgênicos, não foi capaz de regular a pesquisa e o cultivo desses organismos nas terras indígenas e nas áreas de unidades de conservação.

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) lembrou ter sido o Congresso Nacional que instituiu a Lei da Biossegurança e a CTNBio. Ele disse que essa entidade é composta por cientistas de várias disciplinas, de seis áreas diferentes, para estudarem os organismos geneticamente modificados. Mercadante destacou que a CTNBio teve uma intensa produção em apenas um ano de existência. Ele defendeu a aprovação da medida provisória original enviada pelo Executivo.

Mercadante disse ser contrário à emenda da Câmara que autoriza a utilização do algodão transgênico que foi plantado e “está sendo comercializado irregularmente, sem autorização da CTNBio”.

– Acho que as emendas que foram acrescentadas na Câmara não poderiam constar desse relatório e considero um erro o Senado Federal e o Congresso Nacional autorizarem e legalizarem o plantio de organismos geneticamente modificados, transgênicos, que é o algodão, que não teve a autorização da CTNBio, que já definiu que esse plantio deveria ser destruído e não poderia ser permitido – disse Mercadante.

O senador Osmar Dias (PDT-PR) afirmou que a CTNBio “não apresentou resultados concretos”. Para ele, “o Brasil está perdendo tempo, está ficando à margem desse processo de desenvolvimento”. Ele defendeu que 14 votos na CTNBio são suficientes para a aprovação de matérias. Osmar Dias disse que a aprovação do parecer de Delcídio significava mais autonomia para a entidade decretar o que pode e o que não pode ser plantado e comercializado.

– Se a CTNBio disser que o algodão pode [ser plantado], com certeza ela se baseou em estudos científicos, técnicos e não em discursos que, muitas vezes, são feitos apenas para a mídia – afirmou Osmar Dias.

O senador José Agripino (PFL-RN) disse que o Brasil importa, por ano, 400 mil toneladas de algodão transgênico dos Estados Unidos. A Índia, continuou Agripino, também produz algodão transgênico.

– Por que vamos ficar contra? Para ficar na contramão do mundo, fazer com que os empregos que aqui são gerados com esse tipo de cultura sejam gerados lá fora? Não! – defendeu Agripino.

A senadora Kátia Abreu (PFL-TO) também defendeu a maioria simples para as decisões da CTNBio.

– Será a morte dos produtores rurais do país se nós não conseguirmos viabilizar e aprovar o algodão transgênico. Nós estamos hoje na contramão da História. Eu quero aqui lembrar que esse produto vai reduzir enormemente a aplicação de herbicidas, isso vai ser bom para o meio ambiente, nós vamos reduzir custos na produção – afirmou Kátia Abreu.

O senador Jonas Pinheiro (PFL-MT) disse que o projeto não feria em nada a proposta do Executivo. Destacou que as emendas da Câmara dos Deputados procuraram corrigir o problema decorrente do veto presidencial ao quórum estabelecido pelo Congresso. Para Pinheiro, o relatório do senador Delcídio Amaral representa um “meio termo” entre a Lei de Biossegurança e o decreto 5.891 do Executivo, que fixou o quórum em dois terços.

O senador Sibá Machado (PT-AC) manifestou-se contrariamente a qualquer alteração ao quórum atual. O parlamentar disse que “não se pode conviver com o fato consumado”, numa crítica aos agricultores que plantaram produtos transgênicos de forma ilegal e, agora, exercem pressão sobre o Congresso para regulamentar a matéria. O senador José Nery (PSOL-PA) citou o escritor Eduardo Galeano para justificar ampla argumentação contrária ao lobby de empresas transnacionais pela legalização dos transgênicos, que teriam pressionado pela introdução de duas “emendas danosas” à MP.

Já o senador Marconi Perillo (PSDB-GO) apresentou voto favorável à MP 327, salientando que o relatório do senador Delcídio Amaral e suas emendas seriam necessários à agricultura brasileira. A líder petista Ideli Salvatti (SC) liberou a bancada, porém admitiu que a maioria votaria a favor do projeto original e contrária às emendas. Liberou, também, o bloco de apoio do governo a votar conforme sua preferência.

Augusto Castro / Repórter da Agência Senado

Fonte: Agência Senado

Cabral propõe também discutir a legalização das drogas

O governador do Rio, Sérgio Cabral, afirmou ontem que a repressão às drogas “está matando muita gente no Terceiro Mundo”. “Estou defendendo que o Brasil entre nessa discussão e force o Primeiro Mundo a rediscutir a legalização das drogas, porque hoje, se você colocar o peso do custo-benefício do fato de ela ser ilegal, quantas pessoas morrem por isso?”, disse. “Será que essa equação está positiva para o mundo?” Indagado se defendia a descriminalização, afirmou: “A descriminalização e um avanço na (questão da) legalização com cientistas, profissionais da área de saúde.

Cabral participou ontem do seminário Parceiros na Segurança, na Federação do Comércio, precedido por um minuto de silêncio pela morte do menino João Hélio Fernandes. O secretário da Segurança, José Mariano Beltrame, um dos palestrantes, discordou do governador. “Esse tipo de assunto tem que ser discutido amplamente pela sociedade. O País está pronto para isso? Hoje, sou totalmente contra a liberação das drogas.

Cabral citou os Estados Unidos como exemplo na questão da autonomia estadual e defendeu que o Rio tenha legislação própria anticrime. “Se este crime bárbaro tivesse ocorrido nos EUA, teria 50 entendimentos legais diferentes.” Ele disse que já conversou com governadores do Sudeste e vai a Brasília amanhã propor mudanças na legislação. “O Congresso tem que abrir mão de poderes para que os Estados tenham mais poder para legislar. A realidade criminal do Acre não é igual à do Rio.

Fonte: Agência Estado

Fruteiras da Amazônia são abordadas pelo programa

A propagação de espécies frutíferas nativas e exóticas é uma linha de trabalho que a Embrapa Amazônia Oriental (Belém -PA) desenvolve há mais de 20 anos. Neste mês, o assunto está sendo abordado durante o ‘Prosa Rural’, programa de rádio da empresa. Das frutas nativas da Amazônia, a pesquisa já estabeleceu técnicas eficientes para a propagação do açaizeiro, abieiro, cupuaçuzeiro, murucizeiro, taperebazeiro, pequiazeiro, castanheira-do-brasil e pupunheira, entre outras.

Das exóticas, ou seja, introduzidas de outros países, destacam-se o abricoteiro, a gravioleira, o jambeiro, o mangostãozeiro e o rambotãzeiro.

Ao contrário das plantas propagadas por sementes -técnica normalmente utilizada pelos agricultores da região- a propagação assexuada, ou seja por pedaços da planta-mãe que se deseja propagar, proporciona a obtenção de plantas mais homogêneas e frutos com melhor qualidade.

Além disso, reduz em 40% o tempo de início da produção e gera plantas com menor porte, o que facilita a colheita.

Os principais métodos de propagação assexuada são: a estaquia e a enxertia. O primeiro consiste na retirada de pequenos ramos (ou estacas) das árvores, os quais são colocados em propagador para que ocorra a regeneração de raízes e de ramos. Daí surgem as novas plantas.

A enxertia é um método de propagação mundialmente consagrado na produção de mudas de espécies frutíferas. É a união de uma gema ou de um fragmento de ramo de uma planta adulta com uma planta jovem. A planta enxertada passa a se constituir numa única e nova planta.

O sucesso da enxertia depende de uma série de fatores, como a compatibilidade entre o porta-enxerto e o enxerto, a época do ano e as condições ambientais.

A Embrapa Amazônia Oriental realiza atividades de Pesquisa & Desenvolvimento e leva tecnologia ao campo. Através de sua área de negócios tecnológicos, presta serviços e consultorias aos diversos segmentos do agronegócio do Estado do Pará. O ‘Prosa Rural’ tem duração de 15 minutos, com veiculação semanal. É destinado a jovens e pequenos produtores familiares do Semi-Árido Nordestino, Vale do Jequitinhonha e regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste do Brasil.

Traz abordagens dos Centros de Pesquisa da Embrapa e Organizações Estaduais de Pesquisa Agropecuária. O ‘Prosa Rural’ é distribuído gratuitamente para rádios comerciais e comunitárias.

No endereço eletrônico www.sct.embrapa.br/radio/index.htm, é possível ter acesso à programação completa de 2007 e ouvir os programas já veiculados.

Fonte: Jornal do Commercio

Plantas da Amazônia podem gerar negócios

A andiroba é boa para combater demartoses e hidratar a pele. O muru-muru é usado para regular o equilíbrio hídrico e a atividade dos lipídeos da camada superficial da pele. A ucuúba é ótima como antiinflamatório, cicatrizante, revitalizante e anti-séptico. O cupuaçu, além do seu valor nutritivo, também é revitalizante da pele.

Essas são algumas das receitas indicadas pela empresa Naturais da Amazônia, de Belém (PA), que desde 2003 vende com sucesso pela Internet, para o Brasil e o mundo, produtos originários de plantas da floresta amazônica. A empresa compra os produtos dos trabalhadores extrativistas da região e os vende em forma de cremes, óleos e sabonetes totalmente naturais.

O comércio do tipo praticado hoje pela Naturais da Amazônia é um dos objetivos a que se propõe o Ministério do Meio Ambiente (MMA) nas cinco publicações que realizará sobre as 775 espécies brasileiras catalogadas como plantas do futuro, que têm uso local, mas não tiveram ainda projeção nacional.

“São as frutas, os remédios, os temperos, os óleos de amanhã. Relacionamos aquilo que já tem uso local, entre as comunidades, mas que ainda não ganhou projeção nacional”, destacou o coordenador da área de recursos genéticos do MMA, Lídio Coradin, em matéria publicada pelo jornal Correio Braziliense sobre as chamadas “plantas do futuro”.

Compostas por frutas, raízes e árvores da Amazônia, que são desconhecidas do mercado consumidor brasileiro, mas já exportadas para muitos países, as plantas do futuro podem se transformar numa grande fonte de renda para os trabalhadores extrativistas da região da maior floresta tropical do mundo.

A idéia das publicações do MMA é fomentar, além da utilização local, oportunidades empresariais na Amazônia a partir das plantas do futuro. “Distribuiremos os livros com explicações aprofundadas sobre as espécies de cada região, suas potencialidade, e faremos seminários para incentivar os empreendedores”, afirmou o coordenador de recursos genéticos do ministério.

O técnico destacou que a idéia é que, no lugar do mamão e melão, presentes no café da manhã do brasileiro, passe a ter nas mesas, por exemplo, frutas como araticum, pupunha, araçá-boi e bacuri. Assim como faz a Naturais da Amazônia, das plantas silvestres da mata brasileira é possível também produzir óleos, essências, medicamentos, cosméticos e artesanatos.

O sucesso das velas de Silves

Segundo afirmou ao jornal brasiliense o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Charles Clement, que há 30 anos tem se embrenhado na floresta amazônica, as espécies nativas são de fácil identificação. “Difícil é transformar as oportunidades em lucro”, disse o pesquisador, ao acrescentar que os obstáculos são ainda maiores em locais afastados dos grandes centros, sobretudo do Sudeste. “Aqui, na região amazônica, sobra biodiversidade, mas faltam academias, onde as espécies possam ser estudadas e melhoradas, além de empresários dispostos a investir”, destacou Clement.

O pesquisador do Inpa apontou a pequena cidade de Silves, a 280 km de Manaus (AM) como uma exceção de local de negócio bem sucedido na Amazônia. Com menos de 10 mil habitantes, aquela cidade amazonense formou há seis anos a Associação Vida Verde da Amazônia (Avive) com o objetivo de produzir velas com essências oriundas da floresta, extraídas de plantas como pau-rosa, andiroba e copaíba. A produção, que inicialmente era Comprada inicialmente apenas pelo hotel da cidade, a produção de Silves já é encontrada hoje nas prateleiras da rede de supermercados Pão de Açúcar. São produzidas cinco mil velas por mês, que vão para feiras, exposições e encomendas de revendedores.

Falando ao jornal brasiliense, Franciane Souza Canto, uma das coordenadoras da Avive, lembrou que a transformação na vida das mulheres participantes do projeto é latente. “No início, muita gente não acreditava, até a população da cidade desconfiava. Agora temos orgulho, já viajamos para falar da experiência, promovemos cursos por meio da Avive”, destacou Franciane.

Com a produção, cada membro da Associação consegue tirar cerca de R$ 150 por mês, o que representa um grande reforço no orçamento doméstico, especialmente quando se vive na cidade de Silves. Com a expansão da associação, as mulheres buscaram apoio da organização não-governamental WWF no Brasil.

Em 2002, o projeto recebeu um prêmio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Para este ano, a Avive planeja construir uma fábrica de sabonetes e deve receber o aval da Agência Nacional da Vigilância Sanitária. “Há um ano e meio estamos participando de reuniões, já fechamos um financiamento no banco e agora aguardamos o sinal positivo do estado”, disse a produtora de velas Franciane.

Riquezas são desconhecidas

O Ministério do Meio Ambiente informou que das 775 espécies destacadas em seu relatório, dentro do Projeto de Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira, 148 são plantas ornamentais, 70 podem ser usadas como alimentação, 99 têm propriedades medicinais, nove são recomendadas para a fabricação de aromas e 31 para a produção de óleos.

Segundo Lídio Coradin, que coordenou a formação do catálogo, faltam informações sobre as riquezas do país. “As escolas não ensinam sobre as frutíferas nativas, como o araticum, cagaita, cajuzinho do cerrado. Pelo contrário, as crianças só conhecem a pêra, a maçã, entre outros gêneros alimentícios que não são originários do Brasil”, destacou o pesquisador.

Apesar de desconhecidas no mercado consumidor brasileiro, as plantas nativas estão cada vez mais de tornando populares no exterior. Esse é o caso do camu-camu, fruta típica da Amazônia com 20 vezes mais vitamina C do que a acerola, que já está sendo exportada para os Estados Unidos, Japão e Europa a preços irrisórios. Outro exemplo de celebridade brasileira no exterior é a goiaba serrana, típica do Sul do país, que tem sido utilizada para fazer sucos, biscoitos, geléias, óleos e champanhe na Nova Zelândia. “Eles lá tiram o máximo de uma espécie, nós aqui tiramos o mínimo”, disse Coradin ao jornal brasiliense.

Para o pesquisador do MMA, inúmeras espécies poderiam substituir, no prato do brasileiro, os produtos de fora. “Somos muito dependentes na alimentação, embora tenhamos a maior biodiversidade do mundo. Veja que 60% da energia que consumimos está no arroz, trigo, milho e batata. E nenhum é nosso”, afirma o especialista. Para ele, o desafio agora é tornar as espécies conhecidas e fomentar a sua utilização, inclusive para fins comerciais, sem perder de vista a preservação ambiental.

O pesquisador destacou o açaí, fruta originária da Amazônia, como um exemplo emblemático de espécie que ganhou projeção nacional e até internacional. Típica na mesa dos paraenses, amazonense, acreanos e outras populações amazônicas, a popularidade do açaí foi impulsionada em meados dos anos 90, quando o seriado “Malhação”, da TV Globo, vinculava o açaí ao vigor físico. Desde então, a fruta se tornou febre entre freqüentadores de academias. Hoje, pode ser facilmente encontrada em lanchonetes e restaurantes do país.

Fonte: Kaxiana

Biólogos comemoram regeneração de floresta com araucárias

Biólogos do Jardim Botânico de Curitiba estão comemorando os primeiros sinais de recuperação da floresta com araucárias do Jardim Botânico de Curitiba. Até a revitalização do Botânico, feita pela Prefeitura no ano passado, a floresta estava em um processo de degeneração. O aumento da população e de diversidade de animais como borboletas e beija-flores na floresta, a recomposição da vegetação e presença de sementes e frutos no chão da mata, são alguns dos sinais de recuperação identificados pelos técnicos.

“A melhoria é visível, principalmente para quem acompanha no dia a dia a transformação da floresta”, diz Renata Hellen Perez. Com a revitalização do Jardim Botânico, a floresta foi cercada e as visitas passaram a ser monitoradas por equipes de educação ambiental.

Com o fluxo de pessoas controlado, as plantas estão se regenerando. As trilhas paralelas, abertas aleatoriamente pelo público na mata, já estão fechadas por vegetação rasteira. O solo também está menos compacto, mais úmido e aerado.

O controle de visitantes também resultou em melhoria para os animais. “Percebemos que aumentou o número de cotias dentro da floresta. Borboletas, beija-flores e saracuras, por exemplo, são vistos com muito mais freqüência na mata”, diz Renata.

A Floresta representa 40% da área total do Jardim Botânico, que é de 178.000 metros quadrados. Além de preservar, quase na área central da cidade, um importante remanescente de Floresta com Araucária, o bosque é usado como espaço de pesquisa e de educação ambiental para escolas ou grupos interessados.

Raridades – Cartão postal da cidade, o Jardim BoTânico de Curitiba funciona como um centro de pesquisas da flora do Paraná, contribuindo para a educação ambiental, preservação e conservação da natureza.

O espaço abriga ainda o Museu Botânico Municipal que detém o quarto maior herbário do Brasil, e o maior da flora paranaense. O Museu tem 320.000 exsicatas (amostras de plantas secas e fixadas em cartolina), uma coleção de amostras de madeira (xiloteca) e outra de frutos (carpoteca). Muitas das espécies do herbário são raridade ou extintas na natureza.

Estima-se que entre 95% a 98% das espécies ocorrentes no estado do Paraná estejam no herbário do Museu Botânico, o que o credencia como referência no projeto “Flora do Estado do Paraná”. A instituição é a única do gênero na América Latina.

As visitas monitoradas podem ser agendadas pelo telefone 3264-7365

Fonte: Bonde News

Amendoim: a novidade do Juruá

Sandra Assunção

Além da farinha de mandioca, mais de dez variedades de feijão, o cultivo do amendoim da espécie cavalo, pode ser uma boa alternativa econômica para os produtores da região do Juruá. Em Mâncio Lima, uma parceria entre Sebrae, prefeitura e agricultores deve resultar em mais de cinco toneladas de amendoim ainda este ano. As sementes foram doadas pelo Sebrae aos agricultores que já plantaram e a prefeitura, fez uma sementeira, garantindo a expansão da cultura.

Consultores do Sebrae acompanham todos os passos do projeto, desde o estudo do solo até a capacitação dos agricultores no sistema de produção até o plantio feito agora. De acordo com a engenheira agrônoma, Denize Temporim, o solo arenoso de Mâncio Lima e a grande quantidade de chuvas que cai na região, favorecem o cultivo do amendoim, uma leguminosa bem rústica, que também tem grande poder de recuperação de solos degradados. “O período ideal para o plantio seria em outubro com colheita em abril, mas acreditamos que o plantio feito agora também vai dar certo”, esclarece Temporim.

Do Vale do Acre para o Vale do Juruá

O amendoim que é bastante cultivado em senador Guiomard , próximo á rio branco, foi trazido para cruzeiro do sul durante a Expoacre Juruá 2006 pelo Sebrae, que quer tornar o cultivo da leguminosa, mais uma oportunidade de geração de emprego e renda. A média de produção do amendoim é de uma tonelada e meia por hectare, com cerca de 30 por cento de perda. Com casca o preço quilo do amendoim alcança R$ 3,00. Cada agricultores pode lucrar até R$ 8.500 por hectare com o amendoim depois de torrado.

SEBRAE: expandindo culturas

Anualmente durante a Expoacre em Rio Branco , a farinha de mandioca de Cruzeiro do Sul é destaque. O produto é preparado no local e muita gente que não conhece a fabricação acompanha a farinhada ali mesmo. E muitos negócios são feitos entre os próprios agricultores e compradores de Rio Branco, Rondônia, Amazonas e outros estados.

Durante a Expoacre Juruá 2006, realizada em Cruzeiro do sul em agosto do ano passado, o amendoim de Senador Guiomard é que foi trazido para o Juruá, despertando o interesse de agricultores e da prefeitura de Mâncio Lima. De acordo com o gerente de Agro negócios do Sebrae, Cléber Pereira Campos Júnior, fazer intercâmbio destas culturas é garantir a possibilidade de geração de emprego e renda em diferentes regiões.

“A expectativa é de que este ano na Expoacre Juruá o amendoim produzido em Mâncio Lima seja exposto na feira. A partir daí, supermercados, lojas e indústria de alimentos podem ter adquirir o amendoim do Juruá”, explica Cléber Campos.

Fonte: Página 20

Flores para o mundo

Grupo de jardinagem quer novos sócios para vender flores tropicais para enfeitar o Brasil e a Europa

Juracy Xangai

Há pouco mais de um ano e Rita Brás, 36 anos, mãe de três filhos, nunca tinha cuidado de uma horta, muito menos de plantas ornamentais como as que hoje na feirinha do mercado municipal Elias Mansour representando o grupo de jardinagem do bairro Belo Jardim.

O grupo composto por três mulheres e um homem reúne-se na tarde deste domingo na casa da “Déia” no Belo Jardim para que outras pessoas também venham aprender a cuidar das plantas e juntos eles possam ampliar seus viveiros a fim de atender aos interesses que estão surgindo de todo o Brasil e até da Europa. Os moradores do Belo Jardim, interessados em participar do trabalho podem entrar em contato com Rita pelo telefone 8405-5306 ou com a Déia pelo 3221-5306.

Rita lembra que: “Há pouco mais de um ano eu tinha mania de arrancar uma folhinha ou flor quando passava por uma planta. Desdfe que participei de um curso com o professor Paulo, paisagista do Parque Zoobotânico passei a viver uma experiência muito bonita e interessantes. Hoje não faço mais aquilo. Compreendi que embora as plantas não gritem quando a gente faz isso, elas estão vivas então sofrem. Mas ficam muito mais bonitas quando são bem cuidadas”, garante ela.

No viveiro tocado em parceria por quatro pessoas eles cultivam mais de 80 variedades de plantas decorativas e medicinais. A partir de treinamentos e apoios recebidos através da Coordenadoria Municipal da Mulher e o Serviço de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae) o grupo é um dos cinco que utiliza, em sistema de rodízio, a banquinha especialmente preparada para vender plantas e flores dentro da feirinha do mercado municipal Elias Mansour.

Ela esclarece que: “Cada planta tem uma exigência muito diferente da outra, Gosto deste trabalho porque todo dia a gente descobre uma planta nova, novas técnicas, novos adubos. É muito interessante, as rosas e musaendras (rosa da Amazônia) estão dentre as mais delicadas e exigentes, já os cactos são daquele tipo que a gente planta e pode ficar sossegado, só não pode deixar o vaso ou o local muito encharcado”.

Apoiados pelo Sebrae, Rita foi uma das 12 pessoas de quatro grupos de mulheres foram conhecer em Ji-Paraná e Jaru em Rondônia os viveiros criados por pequenos produtores que agindo cooperativamente estão vendendo flores tropicais para a Europa.

“A gente já tem um começo com mudas e plantas tropicais, mas estamos precisando aumentar o número de participantes no grupo para que possamos aumentar nossos viveiros. A idéia é ampliar o grupo para pelo menos oito pessoas. Coordenadoria da mulher e Sebrae estão nos apoiando porque esse é um negócio que tem tudo para crescer rapidamente”, concluiu.

Fonte: Página 20