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As sementes das plantas têm cérebro?

Uma nova pesquisa encontrou grupos de células especializadas em sementes de plantas que efetivamente tomam decisões sobre a germinação, escreve Andrew Masterson.

Grupos especiais de células em uma semente podem se comunicar uns com os outros para decidir quando as condições são certas para a germinação.
foto: Power and Syred / Science Photo Library / Getty

A ortodoxia botânica sustenta que a germinação de plantas é um processo puramente mecanicista, impulsionado inteiramente por estímulos externos. A semente da planta em si não tem voz na matéria.

Uma pesquisa publicada no Proceedings of National Academy of Sciences (PNAS) , no entanto, está prestes a mudar radicalmente essa ideia.

Cientistas da Universidade de Birmingham descobriram que as próprias plantas determinam quando germinar, efetivamente tomando uma decisão através da interação de dois grupos de células que constituem um análogo de um cérebro.

Os cientistas, liderados por George Bassel, da Escola de Biociências da universidade, descobriram dois tipos de células operando em conjunto nos embriões de uma planta chamada Arabidopsis, ou thale cress. Um grupo de células promove a dormência das sementes, enquanto o outro impulsiona a germinação.

A equipe de Bassel descobriu que os dois grupos funcionam coletivamente como um centro de tomada de decisões movendo os hormônios de um para o outro.

Usando uma variedade geneticamente modificada do agrião que amplifica a sinalização química, os pesquisadores descobriram que os dois hormônios de troca entre os dois grupos de células efetivamente levaram a uma decisão sobre quando desencadear a germinação.

Reconstrução digital de um embrião de planta mostrando a localização dos componentes de tomada de decisão.

A interação entre as células permitiu um maior controle do tempo de germinação, garantindo que o processo não começasse cedo demais – quando condições frias poderiam matar a planta jovem – ou muito tarde, quando níveis mais altos de competição poderiam deixá-lo passar fome.

“Nosso trabalho revela uma separação crucial entre os componentes dentro de um centro de tomada de decisão da fábrica”, explica Bassel.

“No cérebro humano, acredita-se que essa separação introduza um atraso de tempo, suavizando os sinais ruidosos do ambiente e aumentando a precisão com a qual tomamos decisões. A separação dessas partes no ‘cérebro’ da semente também parece ser fundamental para o funcionamento. ”

“As próprias plantas determinam quando germinar”

O co-autor Iain Johnston compara o processo de decisão a decidir se vai ou não ao cinema.

“A separação dos elementos do circuito permite uma paleta mais ampla de respostas aos estímulos ambientais”, diz ele.

“É como a diferença entre ler a crítica de um filme de um crítico quatro vezes, ou amalgamação de quatro opiniões diferentes de críticos antes de decidir ir ao cinema.”

fonte: [ COSMOS ]

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Fármaco Sofosbuvir é capaz de eliminar os vírus da chikungunya e da febre amarela

Estudo realizado no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) mostrou que o fármaco sofosbuvir, utilizado no tratamento da HEPATITE C crônica, é capaz de eliminar também os vírus da CHIKUNGUNYA e da FEBRE AMARELA.

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“Células humanas infectadas pelo vírus da chikungunya foram tratadas com sofosbuvir e o fármaco eliminou o vírus sem danificar as células. A droga se mostrou 11 vezes mais efetiva contra o vírus do que contra as células”, disse uma das autoras do estudo, Rafaela Milan Bonotto.

O estudo relativo à chikungunya foi realizado no âmbito do doutorado de Bonotto com Bolsa da FAPESP, com orientação do professor Lucio Freitas-Junior.[1]

O artigo “Evaluation of broad-spectrum antiviral compounds against chikungunya infection using a phenotypic screening strategy” está disponível em [4].

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Sobre o Sofosbuvir — “Sofosbuvir (nomes comerciais: Sovaldi e Virunon) é um fármaco utilizado em casos de hepatite C crônica. Foi eleito pela Revista Forbes como medicamento mais importante aprovado no ano de 2013.

O Sofosbuvir (substância ativa) é um agente antiviral de ação direta contra o vírus da Hepatite C. O Sofosbuvir (substância ativa) é um inibidor da polimerase NS5B do vírus da hepatite C, uma enzima essencial para a replicação do vírus. O Sofosbuvir (substância ativa) pode ser incorporado ao RNA do vírus da Hepatite C e agir inibindo a replicação do vírus.”[2]

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“O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) acaba de obter o registro do sofosbuvir 400 mg, principal medicamento para hepatite C, capaz de curar o paciente sem a necessidade de transplante de fígado. Com o deferimento, publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (2/7), a unidade poderá iniciar imediatamente a distribuição do produto no Sistema Único de Saúde (SUS).

Isso será possível graças a uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP) envolvendo, além de Farmanguinhos, os laboratórios nacionais Blanver Farmoquímica e Farmacêutica S.A. e Microbiológica Química e Farmacêutica LTDA. O acordo tem duração de cinco anos e permitirá uma economia de cerca de 60% aos cofres públicos ao longo desse período.

Transferência reversa – A internalização da tecnologia do sofosbuvir se dará por meio de transferência reversa: começa pela etapa final (análise de controle de qualidade e embalagem) e, aos poucos, Farmanguinhos vai absorvendo os demais processos. Desta forma, nos três primeiros anos, o medicamento será totalmente fabricado no laboratório parceiro. A partir do 4º, o Instituto passa a produzir metade da demanda. Ao final da transferência, toda a produção será executada no Complexo Tecnológico de Medicamentos (CTM) de Farmanguinhos.

A previsão é de que em 2023 o Instituto esteja capacitado para atender a toda a demanda nacional. Atualmente, estima-se que cerca de 1,4 a 1,7 milhão de pessoas vivam com o vírus da hepatite C no Brasil. Muitas delas desconhecem o diagnóstico, a forma como foram infectadas e, ainda, que existe tratamento para a doença.”[3]

[1] http://agencia.fapesp.br/farmaco-capaz-de-eliminar-os-virus-da-chikungunya-e-da-febre-amarela-e-identificado/29148/

[2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Sofosbuvir

[3] http://www.far.fiocruz.br/2018/07/farmanguinhos-obtem-registro-do-antiviral-sofosbuvir/

[4] https://f1000research.com/articles/7-1730/v1

[ACP]

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Flor-de-são-miguel (Petrea volubilis)

Essa todos aí conhecem, né? É a Petrea volubilis, popularmente chamada de “flor-de-são-miguel”, “viuvinha”… É uma espécie nativa do Brasil.
 
Finalmente consegui achar um local bom para plantá-la.
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Como é trepadeira, a ideia é deixá-la crescer rumo ao telhadinho do portão, a fim de cobrí-lo de flores.
 
Uma curiosidade? As folhas, quando mais novas em tom verde claro…,
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… e quando mais velhas em verde escuro…,
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… parecem lixa!
 
Descobri que aqui em Araruama ela não gosta nem de muita água nem de muito adubo. É bem resistente à seca e gosta de bastante sol.
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Abraços!

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Como utilizar enraizadores e auxinas

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Quem nunca fez aquele experimento de plantar feijão em chumaços de algodão? Ver de perto o nascimento de uma plantinha desde o brotamento, acompanhando o crescimento das folhas…

É mais ou menos, talvez mal comparando, a expectativa dos pais em relação aos filhos. Esperamos que elas, as plantas, se tornem saudáveis e fortes, cuidando de sua alimentação, podas e banhos de sol.

Da mesma forma que nós possuímos hormônios de crescimento, as plantas desenvolvem seus próprios hormônios que aceleram ou inibem o seu desenvolvimento. Estes são produzidas numa parte do organismo vegetal e transportadas para outra, onde promoverão algum efeito especial.

Uma distinção pode ser feita entre os termos hormônio vegetal e reguladores de crescimento.

O hormônio vegetal é uma substância natural produzida pela própria planta.

Já os reguladores de crescimento ou reguladores vegetais, em suas formas natural ou sintética, quando aplicados em plantas influenciam no seu crescimento e desenvolvimento.

Hormônios sintetizados quimicamente, provocam reações similares àquelas causadas pelos naturais.

Os cinco grupos de hormônios naturais de plantas conhecidos são: auxinas (AIA, IBA, ANA,) giberelinas (GAs em várias formas), citocininas (Zeatina, Cinetina, 6-BA), etileno (Etephon) e ácido abscísico (ABA).

:: Auxinas

A maioria das plantas começa a se desenvolver respeitando ciclos (podemos notar pelo espaçamento entre os nós de seu caule), por sua capacidade de absorção de água e pela produção de auxinas, através de seu sistema meristemático.

As células meristemáticas são dotadas de um alto poder proliferativo, isto é, reproduzem-se rápida e intensamente, promovendo o crescimento da planta.

À medida que a célula meristemática passa por um processo de diferenciação e se “especializa” numa determinada função, perde parcial ou totalmente a capacidade proliferativa. Podemos encontrar dois tipos de meristemas:

Meristemas primários – localizam-se nas extremidades (também chamado de ápice) e ao longo do caule, definindo, respectivamente, as gemas apicais e laterais. Na raiz acham-se presentes na região subapical (pontas das raízes), onde são envolvidos pela coifa, uma estrutura resistente que lhes confere proteção contra o atrito com o solo e contra o ataque microbiano. Ainda podemos localizar nas extremidades das folhas e embriões de sementes.

Meristemas secundários – estes promovem o crescimento em diâmetro da planta, isto é, são responsáveis pelo alargamento vegetal de troncos e caules. Apenas as gimnospermas, como pinheiros e sequóias, e certas angiospermas dicotiledôneas, como o ipê e o flamboyant, apresentam meristemas secundários.

Sabe-se que as auxinas podem agir como indutores ou inibidores do crescimento, dependendo de sua concentração num determinado órgão.

Podemos verificar que:

  • Concentrações abaixo de um determinado ponto mínimo são insuficientes para promover o crescimento;

  • Já concentrações acima de um determinado ponto máximo inibem totalmente o crescimento;

  • Entre os pontos mínimos e máximos de uma espécie existe sempre uma concentração ótima, com o qual o crescimento é mais rápido.

As raízes são, geralmente, muito mais sensíveis à ação das auxinas do que os caules. Isso significa que a faixa exigida pelas raízes está aquém da faixa exigida pelos caules.

Se aplicarmos auxina às raízes de uma planta crescendo normalmente algo interessante acontecerá: em geral o crescimento destas será retardado; todavia, se removermos as extremidades da raiz, eliminando assim o seu suprimento próprio de auxina, então o crescimento deverá acelerar.

Como as concentrações de auxina no caule e na raiz são aproximadamente as mesmas, concluímos que a raiz é mais sensível à auxina do que ao caule.

Veja o gráfico abaixo:

gráfico dos níveis de AIA

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As Plantas e a Lua

A influência do Ciclo Lunar no Fluxo da Seiva e na Agricultura

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Observar a LUA ajuda a marcar, através de seus ciclos, etapas de plantio, cultivo e colheita.

Lua NOVA :: Semeadura / plantio de tudo o que cresce acima da terra. Corte de bambu para a construção. Colheita e plantio de raízes, tubérculos, rizomas e bulbos. PODAS gerais para a produção de matéria seca.

Lua CRESCENTE :: A seiva sobe para as folhas, concentrando nos talos e ramos. Plantio de tudo o que cresce acima da terra (ex: tomate, laranja, alface, milho, soja etc). Colheita de folhas (medicinais) e, pouco antes da lua cheia, colheita de cereais. PODAS com maior produção de biomassa para adubo verde. Final da crescente: corte de madeira para lenha.

Lua CHEIA :: Seiva nas folhas – maior luminosidade lunar. Colheita de flores, frutos e folhas. Plantio de flores, frutos e folhas. Deve-se evitar mexer muito nas plantas, limitando-se a retirar folhas secas e galhos. PODAS com maior produção de biomassa para adubo verde. Perto da lua cheia, as plantas estão com seus aromas potencializados, atraindo animais.

Lua MINGUANTE :: A seiva desce para as raízes. Ideal para plantio / semeadura de tudo o que cresce abaixo da terra (ex: alho, cenoura, cebola, mandioca, batata, rabanete etc). Podas / corte de árvores e bambus. Pouco antes da lua nova, ideal para colheita de sementes. Dê preferência para intercalar adubações de 15 em 15 dias, sendo uma durante o último quarto minguante.

Anderson Porto

Fonte: www.TudoSobrePlantas.com.br/default.asp#lua

[edit]

Segundo a publicação sugerida pelo Mateus Rübenich, “Influência lunar sobre plantas hortícolas” de Salim Simão, da ESALQ/ Piracicaba (sem data) :

“Não foram encontradas influências das fases da lua, na produção de várias hortaliças, mesmo nas tidas como sensíveis a elas. ”

Link: http://www.scielo.br/pdf/aesalq/v14-15/08.pdf

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“Queremos uma horta em casa”: Saiba como os ciclos da lua podem ajudar

Hortaliças, tubérculos, leguminosas, ervas… Cada grupo, com suas variadas espécies, tem a melhor época de semear e colher. Observar a natureza é uma das melhores formas de aprender.

Ter uma horta orgânica em casa passou a ser o objeto de desejo de muitas famílias. Se você também deseja produzir alimentos livres de agrotóxicos e frescos, estude o melhor espaço para receber terra onde você mora. Em um canteiro de 3 x 4 metros já é possível iniciar uma pequena produção orgânica.

Importante fazer um breve estudo de horticultura, a começar pelos instrumentos e equipamentos que são necessários, além das noções sobre solo, germinação de sementes, reconhecimento e controle de ervas daninhas e pragas, para então iniciar o projeto da horta da família. Outro fator importante, na opinião de Anderson Porto, pequeno produtor rural e criador do portal Tudo Sobre Plantasé desenvolver uma leitura mais próxima da natureza. “Observar os ciclos da lua pode ajudar a marcar as melhores épocas de plantio, cultivo e colheita”, ele acrescenta.

Como os ciclos da lua podem ajudar na horticultura

Lua Nova: Melhor época para acontecer a semeadura, o plantio de tudo o que cresce acima da terra. Ideal também para o corte de bambu para construção; colheita e plantio de raízes, tubérculos, rizomas e bulbos; podas gerais para a produção de matéria seca.

Lua Crescente: Nesta época, a seiva sobe para as folhas, concentrando-se nos talos e ramos. Quando também pode ocorrer o plantio de tudo o que cresce acima da terra (tomate, laranja, alface, milho, soja são alguns exemplos). Durante a lua crescente, costuma acontecer a colheita de folhas (medicinais) e, pouco antes da lua cheia, a colheita de cereais. Podas com maior produção de biomassa para adubo verde estão em boa fase. Já no final da lua crescente, costuma ocorrer o corte de madeira para lenha.

Lua Cheia: Perto da lua cheia, as plantas estão com seus aromas potencializados, atraindo animais. No período de maior luminosidade lunar, a seiva está nas folhas. A lua cheia é ideal para a colheita de flores, frutos e folhas, assim como o plantio. Deve-se evitar mexer muito nas plantas, limitando-se a retirar folhas secas e galhos. Podas com maior produção de biomassa para adubo verde estão em boa fase.

Lua Minguante: A seiva desce para as raízes. Boa época para plantio, semeadura de tudo o que cresce abaixo da terra (alho, cenoura, cebola, mandioca, batata, rabanete são alguns exemplos). Podas e corte de árvores e bambus estão em boa fase. Pouco antes da lua nova, é o momento ideal para colheita de sementes. Dê preferência para intercalar adubações de 15 em 15 dias, sendo uma delas durante o último quarto minguante.

fonte: [ Fluid ]

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História genética do cacau no Brasil é descrita

por Peter Moon  |  Agência FAPESP

Pesquisadores avaliam estrutura genética e diversidade de variedades na Bahia e identificam árvores resistentes à vassoura-de-bruxa (divulgação)

Pesquisadores avaliam estrutura genética e diversidade de variedades na Bahia e identificam árvores resistentes à vassoura-de-bruxa (divulgação)

A saga do cacau no sul da Bahia faz parte da história econômica e cultural do Brasil. Não fosse a bem-sucedida introdução dos cacaueiros na região de Ilhéus no século 18, não haveria o ciclo do cacau da Bahia nem motivos para inspirar Jorge Amado a escrever Gabriela, Cravo e Canela.

Mas o sucesso da cultura do cacau na Bahia é coisa do passado. O Brasil, que já foi o segundo maior produtor mundial de cacau, hoje é apenas o sexto. E foi somente em 2015, após mais de 20 anos excluída do mercado mundial, que a Bahia pôde retomar a exportação do produto.

A culpa do declínio da cacauicultura baiana é o fungo Moniliophtora perniciosa, que transmite a doença da vassoura-de-bruxa. A praga apareceu na região de Ilhéus-Itabuna em 1989 e se alastrou afetando os frutos, os brotos e as flores dos cacaueiros.

As árvores deixaram de dar frutos. A produção brasileira, que era de 320 mil toneladas por ano, despencou para 190 mil toneladas por ano em 1991. Toda a queda corresponde ao tombo da cacauicultura baiana, estado que concentrava 80% da produção.

Nas últimas duas décadas, muitos esforços têm sido feitos para o combate à vassoura-de-bruxa, especialmente na busca de novas variedades de cacau resistentes à praga, pois o fungo continua presente no sul da Bahia.

Uma iniciativa inovadora é o estudo de estrutura genética e da diversidade molecular do assim chamado “cacau da Bahia”, um conjunto de variedades locais desenvolvidas nos últimos dois séculos. O estudo é conduzido pela professora Anete Pereira de Souza, do Instituto de Biologia e do Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética da Universidade Estadual de Campinas, ao lado de pesquisadores de diversas universidades e centros de pesquisa da Bahia, como a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), a Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano (IF Baiano).

Os resultados foram publicados na PLoS One, com apoio da FAPESP.

“A baixa resistência do cacau da Bahia à praga da vassoura-de-bruxa sempre me intrigou”, disse Souza. “A Amazônia brasileira é um dos centros da espécie Theobroma cacao. Portanto, devem existir muitas variedades e tipos de cacau diferentes, alguns inclusive resistentes ao fungo M. perniciosa. Então, como se explica que a praga praticamente dizimou as plantações de cacau do sul da Bahia em poucos anos, sendo que ele veio da Amazônia? Decidimos então estudar a história genética do cacau da Bahia para encontrar a razão de sua baixa resistência à vassoura-de-bruxa e assim encontrar uma maneira de torná-lo mais resistente ao fungo.”

O cacau chegou à Bahia em 1746, quando um colonizador francês que vivia no Pará, Luiz Frederico Warneau, enviou algumas sementes da variedade “Forastero” (do grupo Amelonado) ao fazendeiro baiano Antonio Dias Ribeiro, que as semeou no município de Canavieiras.

Em 1752, foram plantadas as primeiras sementes em Ilhéus. As plantas se aclimataram bem à região. Ao longo do século 19, as fazendas de cacau foram se disseminando na região e as exportações avançaram à medida que aumentava o consumo de chocolate na Europa e nos Estados Unidos. Nas primeiras décadas do século 20, o cacau era o principal produto de exportação da Bahia.

“O cacau da Bahia é de excelente qualidade, tanto que todos os cinco maiores produtores mundiais (Costa do Marfim, Gana, Indonésia, Nigéria e Camarões, nesta ordem) plantam o cacau da Bahia. As sementes que lá foram introduzidas pertenciam todas à variedade Forastero da Bahia”, explicou Souza.

A vassoura-de-bruxa é endêmica na América do Sul e no Caribe, mas jamais atravessou o oceano para infestar os plantios na África e no sudeste asiático.

Após grande combate epidemiológico e científico à vassoura-de-bruxa, resultados começaram a aparecer. A produção brasileira de cacau, que havia recuado a um mínimo de 170 mil toneladas em 2003, atingiu 291 mil toneladas em 2014, a maior safra em 26 anos.

O maior controle da vassoura-de-bruxa possibilitou à Bahia voltar ao mercado externo, com a exportação de 6,6 mil toneladas de amêndoas para o mercado europeu em 2015.

Base genética estreita

Para entender a razão genética da extrema suscetibilidade do cacau da Bahia à vassoura-de-bruxa, Souza e a então doutoranda Elisa Santos, da Universidade Estadual do Sudeste da Bahia, juntamente com pesquisadores da Universidade Estadual de Santa Cruz e da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, ambas em Ilhéus (BA), foram a campo. Santos coletou 219 amostras de folhas de cacaueiros em sete fazendas, assim como outras 51 amostras de híbridos desenvolvidos ao longo de décadas no Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec/Ceplac), de Ilhéus.

De volta ao Centro de Biologia Molecular da Unicamp, foi realizado o sequenciamento do DNA nuclear das 270 amostras, focalizando a investigação em 30 marcadores moleculares – pequenos trechos do DNA que servem de parâmetro de comparação entre as variedades.

O que se descobriu foi que a base genética do cacau da Bahia é muito estreita. Literalmente todos os cacaueiros baianos têm a sua origem em um número muito pequeno de indivíduos, ou seja, de sementes da variedade Forastero. É que essas sementes foram muito bem escolhidas pela qualidade do cacau produzido pelas árvores que deram origem a elas. Entre aquelas estão as sementes trazidas por Warneau há 270 anos.

Se por um lado a baixa diversidade genética das plantas garantia a qualidade do fruto, por outro tornava toda a população de cacaueiros frágil, dada a ausência de variedades que pudessem resistir a uma ameaça como acabou sendo a vassoura-de-bruxa.

Para piorar a situação, os pesquisadores descobriram que os híbridos desenvolvidos pelo centro de melhoramento nos anos 1950 e 1960 (e cultivados até hoje), em vez de aumentarem a variação genética na população cacaueira, acabaram por reduzi-la ainda mais, já que também foram produzidos com base apenas na qualidade do cacau.

“Já havia uma base genética estreita. Então se escolheu unicamente plantas dessa base para obter híbridos. Não se pensou em trazer novas variedades de fora da Bahia para ampliar a base genética das árvores da região. O resultado foi a obtenção de híbridos ainda menos resistentes à vassoura-de-bruxa”, disse Souza.

Uma boa notícia da pesquisa foi a descoberta nas fazendas de árvores resistentes à doença e com maior variação genética que aquela encontrada nos híbridos atualmente existentes.

“São cacaueiros anteriores à praga, que jamais foram atacados, não foram derrubados e continuam produzindo. E devem existir outros, além dos que coletamos. Essas árvores não podem ser perdidas. Governo e fazendeiros precisam preservar essas variedades, elas representam o sucesso no futuro da cacauicultura baiana, nacional e também mundial, já que o cacau da Bahia foi exportado para o mundo todo”, disse Souza.

Atualmente novos híbridos envolvendo as árvores de cacau com resistência à vassoura-de-bruxa e maior variação genética já estão sendo obtidos pelos pesquisadores dos centros de pesquisa na Bahia.

O artigo Genetic Structure and Molecular Diversity of Cacao Plants Established as Local Varieties for More than Two Centuries: The Genetic History of Cacao Plantations in Bahia, Brazil (doi: http://dx.doi.org/10.1371/journal.pone.0145276), de Elisa S. L. Santos, Carlos Bernard M. Cerqueira-Silva, Gustavo M. Mori, Dário Ahnert, Durval L. N. Mello, José Luis Pires, Ronan X. Corrêa, Anete P. de Souza, pode ser lido em http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0145276.

fonte: [ Agência FAPESP]

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A Lavoura

por  Ana Maria Primavesi

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A Lavoura

A economia brasileira é alavancada e sustentada pela atividade agrícola. O país é visto como celeiro de alimentos para o mundo. A atividade agrícola iniciou o salto de desenvolvimento com a revolução verde (com máquinas ampliando a produtividade humana, adubos, defensivos, irrigação, sementes responsivas ao nitrogênio), seguido pela agricultura conservacionista (plantio direto na palha), e atualmente a agricultura digital (de precisão), em que as máquinas são dirigidas por computadores, orientados por satélites. E certamente existe a certificação de boas práticas de manejo e a rastreabilidade para segurança do consumidor.

Os problemas ambientais como plantas daninhas, pragas, estresse hídrico, estresse térmico, estresse salino e diversos outros estresses, recebem o aporte de tecnologias desenvolvidas pela engenharia genética, que garante ser solução de ponta para esses problemas.

Porém, as fábricas de proteínas, carboidratos, fibras e energia, as plantas, continuam tendo raízes. Raízes que representam figurativamente os intestinos (por onde absorvem água e nutrientes) e, junto com o colo, que seria os pulmões (absorvem oxigênio para a respiração) das plantas. O estômago seria constituído pela rizosfera, onde nutrientes são disponibilizados, sendo afetados pelo pH (acidez). E este trato digestivo e pulmonar das plantas, necessita de um substrato úmido, aerado, fresco, com um limite de salinidade e de acidez. Ou seja, um solo agregado, permeável, vivo (com intensa atividade biológica).

Para que isso ocorra necessita de tripla proteção permanente (dossel vegetal; serapilheira ou restos vegetais ou cobertura morta ou mulch; e trama radicular abundante na superfície e em profundidade), contra insolação excessiva, impacto das gotas de chuva tropical, e com bom teor de matéria orgânica, que é fonte de energia para essa vida do solo, e também atua como se fosse a fibra para dar funcionalidade ao trato digestivo das plantas, às raízes e à rizosfera.

Sistematicamente, com cada avanço tecnológico, o solo vem sendo relegado ou mesmo eliminado do planejamento de gestão da propriedade. Na revolução verde proibia‐se o uso de adubos orgânicos. E aconselhava‐se que os restos vegetais deveriam ser incorporados profundamente ou fornecidos como alimento ao gado bovino, ou mesmo sendo utilizado como fonte de energia industrial ou simplesmente queimados.

Veio o sistema plantio direto na palha. Com esse sistema foram eliminadas gradativamente as práticas mecânicas de conservação de solo e de água. E conforme a região, e com a possibilidade de se realizar mais de um cultivo por ano, foi desaparecendo o cuidado pela produção de palhada para proteger osolo, e alimentar a vida do solo.

Atualmente não se diz mais plantio direto na palha, mas simplesmente plantio direto, onde o que importa são as máquinas, os herbicidas e os cultivares resistentes aos herbicidas. Como consequência o solo, sem retorno adequado de material orgânico e sem sua conservação adequada, degrada, compacta, encrosta, erode, esquenta e resseca, amplia os estresses hídricos e térmicos para os cultivos, e aumenta a incidência de pragas e de patogenias. O produtor ou empresário rural vê a solução no uso dos agroquímicos, na engenharia genética, e na robótica teleguiada.

E o solo?

Antes, abandonava‐se uma área de solo degradado, improdutivo, por uma nova área de cultivo. Mas estas novas áreas, sob mata nativa, também estão acabando, por conta da degradação, da urbanização, da mineração a céu aberto, da submersão por lagos artificiais de hidrelétricas. Soluções modernas aparecem. De Nova Iorque vêm notícias de fazendas hidropônicas em edifícios (vertical farm). Da Holanda vêm notícias de fazendas hidropônicas flutuantes (floating farms). Não se precisa mais de solo. Será? Os solos bons e férteis servem para serem urbanizados.

Acredito que neste ponto seria interessante resgatar a lembrança sobre a verdadeira necessidade e função do solo. Muitos chamam‐no pejorativamente de pó (na seca) e barro (nas chuvas), que tudo emporcalha.

Com o advento da ideia da agricultura sustentável, o solo de referência geralmente citado é o da mata virgem, do ambiente natural clímax. Mas acredito que o referencial mais lógico e impactante seria o do ambiente natural primário, em que predomina a rocha exposta. Aí não tem solo. Nem água residente, nem lençol freático. As amplitudes térmicas e hídricas são extremas. Tem água somente quando chove. As chuvas são torrenciais. Os ventos e brisas que levam umidade são mais intensos. É um ambiente inóspito para a vida superior e a produção de biomassa. Não ocorrem os chamados serviços ecossistêmicos, ou seja, não há estruturas nem processos naturais para garantir a produção de biomassa.

A estratégia inicial da natureza para transformar esse ambiente natural primário em natural clímax foi o de reter a água das chuvas. Para isso, foi preciso primeiramente produzir algo como uma esponja, construir o que chamamos de solo permeável e com capacidade de armazenar água, a partir da degradação das rochas. Para tanto designou os líquens (algas+fungos) a iniciarem os trabalhos de desmonte das rochas. Os líquens utilizavam o artifício da cor clara (albedo alto) para refletir a radiação solar e evitar o aquecimento exagerado do substrato. Os líquens mortos foram a primeira matéria orgânica visível na formação dos solos, e de sua proteção. Era preciso proteger a superfície.

Conforme a camada de solo ia sendo formada, aumentava a água residente. Foi estabelecido o lençol freático. Havia água para as plantas superiores fora do período das chuvas. A função primeira do solo é captar e armazenar água das chuvas de forma disponível. É a água residente. Plantas pioneiras de diversas espécies foram se estabelecendo. E conforme o solo ia aprofundando, e sendo colonizado por plantas diversificadas, foi diversificando a vida associada às plantas e a vida do solo. É que as exsudações radiculares (como de açúcares e aminoácidos) e os restos vegetais serviam de fonte de energia para estes seres de vida livre, e também para os simbióticos. Mais água era captada e armazenada. Esse novo ambiente emergente, num desenvolvimento construtivo, sintrópico, permitia o aparecimento de novos seres, novas espécies. As cadeias alimentares formavam teias alimentares, aumentando a resiliência ou estabilidade da vida nos ecossistemas.

Os organismos do solo servem para dar continuidade aos processos químicos de construção da estrutura agregada, grumosa, do solo, que permite a circulação fácil de água e de ar (oxigênio, produzido pelas partes verdes dos vegetais durante a fotossíntese), bem como o desenvolvimento das raízes. E ainda servem para auxiliar na nutrição mineral e orgânica das plantas. Mas para isso precisam de material orgânico na superfície do solo, a serapilheira, em condições aeróbicas.

Sim, material orgânico bruto, não estabilizado biologicamente, na superfície do solo, em contato com o solo, e não enterrado. Este material poderia ser misturado com a terra superficial, até no máximo de 5 cm. Os organismos do solo degradam o material orgânico, sendo que nas etapas iniciais bactérias celulolíticas produzem gomas que auxiliam na colagem de partículas minerais floculadas quimicamente, e posteriormente fungos que vão atrás da energia dessa goma bacteriana enlaçam esses agregados, estabilizando‐os contra a ação dispersante da água. Mas esse processo, realizado por material orgânico bruto, não compostado, necessita ser renovado continuamente ao longo do ano.

Por isso da importância de manter o solo constantemente vegetado, preferencialmente de forma diversificada, com suas atividades radiculares e produção de restos vegetais para proteger a superfície do solo. A diversificação é necessária para diversificar a atividade biológica e assim dar estabilidade à teia alimentar e garantir a porosidade do solo. Por isso se diz que solo não vegetado deixa de ter a função primeira de solo. Volta às condições impermeáveis de uma rocha. Perde a capacidade de captar e armazenar água.

Neste desenvolvimento construtivo, verifica‐se o aparecimento de diferentes estruturas e processos, ou serviços ecossistêmicos vitais para a vida superior e a capacidade de produção de biomassa ou culturas com sua vida associada, como bactérias, fungos, insetos como abelhas, borboletas, besouros, formigas, bem como também pássaros, mamíferos e outros. A natureza finaliza esse processo construtivo de ecossistemas naturais clímax com árvores, tanto faz se o ambiente é quente ou frio. As árvores esquentam ambientes frios (por conta da cor escura das folhas) e esfriam ambientes quentes (por conta da transpiração), além de atuarem na umidificação do ar e na atenuação das temperaturas e amplitudes térmicas, tornando o ambiente mais hospitaleiro para a vida superior.

Assim, quando se domestica o ecossistema natural clímax para transformá‐lo em agroecossistema, deveria ser considerada, planejada, a manutenção da infraestrutura natural mínima para captar e armazenar água das chuvas, manter um ambiente saudável para o trato digestivo das plantas, manter estável a estrutura estabilizadora do microclima favorável à produção vegetal e ao funcionamento dos insumos empregados. Isso seria considerar princípios ecológicos de boa produção. Pertence ao rol das boas práticas de manejo agrícola. Garantindo a produção sustentável, do ponto de vista ambiental.

Quando se desconsidera esses aspectos biológicos, priorizando os aspectos químicos e talvez também os físicos do solo (mas não os biofísicos), pratica‐se uma agricultura mineradora, uma regressão ecológica, de volta às características ambientais primárias inóspitas à produção, por mais tecnologia que se queira aplicar para substituir os serviços ecossistêmicos essenciais. Seria como o de um ambiente urbanizado, sem áreas verdes, impermeabilizado, quente e seco, inóspito, causador de alergias, viroses e muitas doenças. Lembram-se dos povos que sumiram da história? Dos sumérios, egípcios, etruscos, gregos, romanos, incas, astecas, mongóis e hunos? Foram arrasados porque se esqueceram dos campos. Cidades vivem do campo. É a terra que as mantém.

Assim, manter o solo protegido superficialmente com material orgânico não é uma necessidade somente para a agricultura orgânica, mas vale mais ainda para a agricultura industrial, digital. Ainda mais sabendo‐se que a matéria orgânica do solo, em nossas condições tropicais, é responsável por 60 a 80% da capacidade de troca catiônica do solo, ou seja, consegue estocar os adubos aplicados de forma disponível para as plantas, reduzindo os prejuízos do produtor rural. Porque não adianta colocar adubo em um solo parcialmente morto, que a planta não vai conseguir usar, pois é exatamente essa microvida, alimentada pela matéria orgânica, que mobiliza os nutrientes necessários à cultura.

Visto isso, parece lógico que deveremos praticar uma agricultura conservacionista, de preferência agrossilvipastoril, em que o plantio direto volte a ser na palha, que aumenta a rugosidade do terreno, e que a quantidade e qualidade da palha seja o astro principal do sistema de produção. O estabelecimento de curvas de nível e de terraços de base larga também são necessários em terrenos mais inclinados, pois aí a palha segura muito bem o solo mas não toda a água, que é retida por rugosidades mais fortes do terreno. Deve‐se lembrar, solo sem cobertura vegetal permanente e diversificada (incluindo as árvores estrategicamente alocadas para interceptar a água das chuvas cada vem mais intensas), deixa de ter a função primeira, que é a de captar e armazenar água, o mineral mais importante para o sucesso e a sustentabilidade de nossa agricultura, a saúde de nosso povo. Solo cuidado com matéria orgânica fornece alimento nutricional funcional, conserva os solos propiciando seu cultivo ilimitado e a continuidade da vida no planeta.

Fonte: [ Ana Maria Primavesi ]

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PRINCIPAIS INTERAÇÕES NO USO DE MEDICAMENTOS FITOTERÁPICOS

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Fonte: [ Conselho Federal de Farmácia ]

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Cafezinho bom já vem da roça com fungo

por Liana John

 Foto: Liana John (terreiro de secagem de café, em Minas Gerais)

Foto: Liana John (terreiro de secagem de café, em Minas Gerais)

A primeira intenção era identificar os fungos prejudiciais à qualidade do café, para depois pesquisar meios de proteger os grãos durante e após a colheita. Ao reparar bem nos efeitos dos diversos parasitas, porém, os pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) conseguiram separar um benfeitor do meio dos malfeitores: toda vez que os grãos de café são infestados com Cladosporium cladosporioides, o cafezinho tem o sabor e o aroma preservados.

O fungo “do bem” se instala no grão maduro, um pouco antes do ponto de colheita e toma toda sua superfície, de tal modo que os outros fungos não conseguem se desenvolver. Nem mesmo os fungos comuns nas lavouras e nos armazéns – como os dos gêneros Penicillium, Aspergillus e Fusarium – conseguem garantir espaço!

A partir dessa constatação, a pesquisa mudou de rumo e passou a esmiuçar a relação entre o café e o tal fungo. “Isolamos e identificamos a espécie e fomos fazendo estudos nas regiões produtoras de Minas Gerais”, conta Sara Maria Chalfoun, da Epamig Lavras. “Verificamos as condições em que o fungo existe naturalmente e deve ser preservado e as situações em que sua presença é muito reduzida, devido a tratos culturais indevidos e aplicações de químicos”. Basicamente são 3 situações: cafezais com o fungo, onde a ordem é preservar; lavouras com pouca quantidade do fungo, onde se deve aumentar sua presença por meio de inoculação e regiões onde outros fungos passam a predominar, aí é preciso mudar os tratos culturais e reintroduzir C. cladosporioides.

“O fungo ocorre com menos frequência quando o cafezal está situado junto a grandes corpos d’água, como represas e lagoas, ou quando o nível de precipitações é elevado durante a fase de frutificação”, completa a pesquisadora, cujos 40 anos de carreira foram integralmente dedicados à qualidade do café. “Inicialmente desenvolvemos um pó para inoculação, mas agora temos um líquido, com um tempo de prateleira maior, de até 6 meses, o que é compatível com os produtos biológicos”.

Em parceria com Carlos José Pimenta, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Sara orienta diversos estudantes de Iniciação Científica a pós Graduação, dedicados ao estudo da espécie. Vários desses trabalhos foram desenvolvidos nas condições reais, no cafezal de uma fazenda que abriu as portas aos pesquisadores, a Fazenda Santa Helena, de Alfenas (MG). Outra fazenda, do Grupo Farroupilha, deve abrigar novos testes de campo, em Patos de Minas.

A equipe da Epamig hoje domina a produção do fungo em massa, em laboratório, para inoculação. E tem condições de repassar aos cafeicultores uma série de orientações para que eles tirem o melhor proveito desse conhecimento. Existe até um pedido de patente, depositado há cerca de 8 anos, relativo ao processo de multiplicação do fungo, essencial para transformar o bioprotetor do café em produto.

Segundo Sara, a grande vantagem do bioprotetor é que os fungos do gênero Cladosporium não produzem micotoxinas prejudiciais ao homem, nem causam dano à planta. Os bons resultados – a melhora das qualidades sensoriais do café – já são observados no primeiro ano de uso. A primeira aplicação deve ser feita quando os grãos começam a amadurecer, seguida de uma repetição, 45 dias depois.

A equipe liderada por Sara conta com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnologico (CNPq) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). “Criamos uma plataforma de trabalho para aproveitar a infraestrutura do laboratório e desenvolver outros produtos correlatos, pois temos muitos produtores interessados”, acrescenta a pesquisadora. “Estou um pouco frustrada com a burocracia para conseguir o registro. Apenas nos últimos anos é que o governo estadual vem se esforçando para converter as pesquisas em produtos. É uma luta grande, mas vale a pena: precisamos ir além da mera demonstração da possibilidade, do potencial, e chegar ao mercado”.

De fato, o bioprotetor não tem concorrente químico, é um produto único. Não faz mal para o pé de café, nem para quem toma a bebida. Ao contrário, protege a colheita do mofo de modo natural e garante a qualidade do cafezinho. Devia merecer atenção prioritária dos órgãos responsáveis pelo patenteamento e pelas licenças necessárias para chegar às prateleiras o quanto antes, certo? Então, Brasil, o que estamos esperando? Vamos cuidar logo desse fungo que conserva a qualidade do nosso cafezinho?

Fonte: [ Educação Ambiental Itajubá ]

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